Ser (brasileiro e) fã de quadrinhos americanos no Japão

Ser (brasileiro e) fã de quadrinhos americanos no Japão

No final de 1992, embarquei para o Japão para trabalhar e fiquei por lá 2 anos. Sofri com isso. Não estou falando que sofri pela distância, pela comida, pela temperatura… Como fã e colecionador de quadrinhos, sofri com a ausência dessas coisas na minha vida. Lembrando que nessa época não existia internet, celular e outras modernidades.

– Mas no Japão não tinha algo do tipo “banca de jornal”?
Diferente do Brasil, não havia bancas espalhadas em cada esquina. Havia livrarias (fodásticamente sensacionais) que tinham de tudo menos quadrinhos americanos. Bem… Mesmo que tivesse, meu tradutor cerebral não estava atualizado ainda.

– POXA! Mas não tinha como alguém mandar essas coisas pra você?
Nem compen$aria… Mas havia uma ponta de esperança: depois de 1 ano descobri que existiam vans cheias de produtos nacionais. Pirataria ao extremo, na cara-dura. E nessas vans tínhamos de tudo: de feijão à CDs de música; de roupas às fitas VHS com programas gravados da TV brasileira (tinha desde FANTÁSTICO até novelas). Ah! E é claro, revistas como VEJA, CONTIGO etc… E QUADRINHOS!!! Mas minha alegria não era completa… Vinha bastante TURMA DA MÔNICA e DISNEY! E muito pouco de gibis de super-heróis! Pra quem coleciona gibis de super-heróis, sabe a importância da frase “continua no próximo número”.

(Pausa pra limpar a lágrima ao relembrar desse momento.)

– POUTZ! Mas como você fez? No começo dos anos 90, O SUPERMAN MORREU! Foi um grande evento para os fãs de quadrinhos.
Quando vi que isso iria acontecer, fiquei triste por estar longe de todo estardalhaço que deveria estar acontecendo no Brasil! Mas, para minha sorte, foi publicada uma versão encadernada sobre a morte EM JAPONÊS (que, diga-se de passagem, ficou bem mais bacana que o nacional). Naquele momento eu era um menino feliz!

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– E sua alegria acabou por aí?
Não! Em 1994, ao garimpar uma livraria, deparo-me com DUAS EDIÇÕES (com mais de 100 páginas) de X-MEN! Uma era um encadernado da mini-série escrita por CLAREMONT e desenhada pelo JIM LEE! A outra era um livro especial contando a origem de cada mutante da época e localizando o leitor japonês nesse mundo mutante.
SENSACIONAL! Não nego que fazia tempo que não me empolgava com uma história dos X-MEN desde a fase BYRNE! Como eu não entendia muito o quê estavam falando, apenas admirava os desenhos.

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– Mas não saiu nada sobre OS VINGADORES?
Não… Pelo menos não cheguei a ver nada com eles. O que comprei em seguida foi uma edição do AMAZING SPIDER-MAN, no mesmo “molde explicativo” que a dos X-MEN: situando o leitor novato, mostrando a história, os desenhistas, etc. Realmente eu estava muito feliz!

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– Acabou por aí?
Infelizmente, sim. Como um último suspiro, comprei um MANGÁ dos X-MEN com a história baseada na série animada de TV (sim, aquela mesma)! A capa era bacana, vieram uns adesivos, mas os desenhos ERAM MEDONHOS!
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– Impossível! ERA UM MANGÁ!
NÃO! Parem de achar que só porque “é mangá” e foi feito por um japonês o negócio é de qualidade! É UM LIXO DE RUIM! Até tentei vender depois no Brasil, mas ninguém queria comprar depois de folhear. Hoje já desisti de vender, porque essa revista foi uma sobrevivente.
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– Considerações finais
Tirando esse mangá, os outros livros se tornaram xodós pra mim. Hoje já deve ter coisa muito melhor, com certeza, mas numa época sem internet e num país onde o quadrinho nacional reina absoluto, o que eu tinha em mãos era um tesouro.

Marvel DC Japão

Por Sandro Hojo feito especialmente para o LEITURA RECOMENDADA.

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