Filme: Venom [Review]

Filme: Venom [Review]

Mesmo não tendo mais o sucesso esperado nas produções cinematográficas do Aranha e pedindo ajuda da Marvel Studios para reinventar o personagem, a Sony ainda não desistiu de explorar o aranhaverso. Venom tem como protagonista um dos mais populares vilões do cabeça de teia e, apesar do esforço, não engrena e se perde em clichês toscos.

Eddie Brock (Tom Hardy) é um repórter popular por suas matérias investigativas, mas após fazer acusações ao poderoso Carlton Drake (Riz Ahmed) dono da fundação Vida, tem sua vida devastada. Meses após o incidente, ele entra em contato com o simbionte alienígena conhecido como Venom, unindo forças com o mesmo para impedir um ataque em massa das criaturas. No elenco Michelle Williams, Jenny Slate, Reid Scott e Scott Haze.

O Homem-Aranha é um dos super-heróis mais populares da cultura pop, logo é compreensível vermos a Sony explorar ele e seu universo de todas as maneiras possíveis, porém a Marvel Studios subiu muito o critério dos filmes baseados em quadrinhos, sem falar que o sub-gênero se tornou tão presente que qualquer coisa sem diferencial acaba passando batida. O diretor Ruben Fleischer (de Zumbilândia) apresenta um filme de origem aos moldes da era “pré-Marvel Studios”, daqueles que você caga pro que acontece na tela e só espera a hora do protagonista usar o uniforme. Você tenta pegar empatia pelas situações de Eddy, mesmo ele não convencendo como um perdedor, mas o ritmo truncado com cortes bizarros na edição estraga tudo. O roteiro trabalha boa parte da história em dois núcleos que não entregam nada que acrescente a trama, sem falar nos diálogos altamente precários e canastrões. Um exemplo disso é a relação entre Eddie e Venom, que em pouco tempo se torna uma parceria de amizade e lealdade, mas que não tem isso trabalhado ou desenvolvido na trama para que você acredite, fica tudo muito forçado.

O filme também é meio esquizofrênico, tendo monstros cheios de dentes e lâminas dilacerando e devorando coisas, mas sem mostrar uma gota de sangue pra ter uma classificação baixa. As cenas de ação também são meio fracas e um tanto bobas comparado ao que se espera em um filme do Venom. Acredito que os efeitos especiais podiam ser piores, mas ainda assim estão com um pézinho no Syfy Channel. A luta entre os dois simbiontes é uma confusão visual onde você não entende nada em tela (o fato de ambos serem parecidos no visual colabora com isso).

Não acho Tom Hardy um mau ator, gosto de como ele dá intensidade aos personagens, mas aqui ele segue uma linha meio “surtadão” que me incomodou bastante. Assim que o simbionte invade o corpo dele, ele fica sem controle como o Shia Labeouf em Transformers – A Vingança dos Derrotados. São cenas feitas para serem engraçadas, mas só dão vergonha alheia mesmo. Ainda assim ele segura o filme como protagonista, apesar da “parceria” pouco desenvolvida com o simbionte que já mencionei anteriormente. Fora o namorado da ex de Eddie, que fugindo do convencionou é um cara super legal e um dos mais preocupados com a situação dele, o resto cai num festival de clichês inacreditáveis. Temos o chefe que é amigo mas também duro, a ex que seguiu a vida mas ainda se preocupa com o protagonista, a cientista arrependida e o vilão dono de corporação que coloca o progresso de suas pesquisas acima da ética.

Como o parâmetro de Venom para o público geral é a aparição dele no lamentável Homem-Aranha 3, Acho que a imagem do linguarudo vai se manter no mesmo nível de estrago, infelizmente. O roteiro, as atuações, a ação, nada entrega o que se espera, tornando-se um filme no mínimo esquecível. Trabalhar o universo do Aranha sem querer criar vínculo com ele é um desafio pesado demais pra Sony encarar sozinha, no entanto teremos a promissora animação Homem-Aranha no Aranhaverso em breve, uma possível redenção da produtora.Há duas cenas pós-créditos, fica até o final pois a segunda vale muito a pena.

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