Filme: Um Dia para Viver [Review]

Filme: Um Dia para Viver [Review]

Estes dias li um comentário dizendo que os super-heróis tem estragado os filmes de ação, que agora todo mundo parece ter poderes e afins, mas eu acho que a velha guarda ainda respira. Um Dia para Viver tem um espírito de filme das antigas, com todos os clichês e canastrices do gênero.

Uma grande companhia paramilitar chamada Montanha Vermelha quer assassinar um ex-membro de sua equipe, pois o mesmo está a caminho de dar uma declaração às autoridades expondo merdas que eles fizeram. Quando a primeira investida falha, eles recorrem a Travis Conrad (Ethan Hawke) um dos seus melhores agentes que já largou essa vida, mas é convencido a voltar a ativa e cumprir esta missão. No elenco Paul Anderson (XVIII), Rutger Hauer, Liam Cunningham e Nathalie Bolt.

Apesar de ter uma premissa batida, o filme costura seus elementos de maneira interessante, revelando as peças do quebra-cabeça aos poucos, conseguindo causar boas surpresas até metade do segundo ato (depois disso tudo fica extremamente previsível). O diretor Brian Smrz certamente bebeu na fonte dos filmes de ação de décadas passadas, o que se reflete nas perseguições de carro, a pouca economia de munição, os diálogos canastrões na boca dos personagens e tantos outros clichês manjados. Ainda assim a fotografia é muito bonita e o recurso de fazer os flashbacks do protagonista em primeira pessoa é bem legal.

Existe um toque de ficção-científica no filme além das corporações, é algo que guia boa parte da história e até está ligado ao título do filme, mas é explorado de maneira muito simplista. Eu não vou dizer o que é pois acho que estragaria a surpresa, mas está em qualquer descrição do longa e inclusive no trailer, então apesar de ter colocado ele ali em baixo, recomendo que não veja antes de ir ao cinema (ou veja, você é livre pra fazer suas escolhas). O roteiro também raspa numa crítica política ás guerras e pessoas que lucram com elas, mas também é posto de forma muito rasa em detrimento da ação.

Eu gosto do Ethan Hawke como ator, ele se esforça pra fazer um anti-herói relutante mas que está disposto a se sacrificar por terceiros e ter sua redenção dos pecados passados (já disse que o filme tem muitos clichês?). Seu personagem se mostra menos dotado de agilidade ninja como os John Wick da vida, porém ele tem a resistência de um John McClane nos primeiros Duro de Matar (na verdade a resistência a tiros e balas que ele tem esta uma escala acima de qualquer ser humano comum). O resto do elenco entrega o que a trama pede, um festival de capangas de mira duvidosa, vilões inescrupulosos (com destaque pro Liam Cunningham de Game of Thrones que faz O chefão), femme fatales que apesar de letais precisam ser protegidas pelo herói, e coadjuvantes com frases de efeito para mascarar sua bidimensionalidade.

Pra quem gosta de um bom filme estilo brucutu das antigas, Um Dia para Viver preenche a cota, mas infelizmente não desenvolve com competência os elementos que poderiam fazer dele um diferencial, tornando-se assim mais um filme de ação pra você ver entediado no Domingo Maior (tanto que em muitos lugares o filme saiu direto para Home Video). Filmes como esse são necessários na indústria do entretenimento, pois se eles só fizerem obras cabeçudas com certeza irão à falência.

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