Filme: Tomb Raider – A Origem [Review]

Filme: Tomb Raider – A Origem [Review]

Filmes baseados em games carregam uma má fama desde a década de 90, e ao contrário dos quadrinhos, ainda estão em busca de notoriedade entre o público, por isso toda nova adaptação gera expectativa. Tomb Raider – A Origem é o reboot da franquia no cinema baseada no reboot da franquia nos games, trazendo uma nova Lara com menos curvas, mais rebeldia e muitos desafios.

Negando-se a aceitar a morte de seu pai (Dominic West) desaparecido há sete anos, a jovem Lara Croft (Alicia Vikander) trabalha como pode para se manter e pagar as contas, sempre vivendo no limite e de forma audaciosa. Quando finalmente decide aceitar que seu pai morreu e assumir os negócios da família, uma mensagem deixada por ele a leva até uma misteriosa ilha do Japão, local onde ela pretende encontrar pistas do que aconteceu com seu pai. Chegando no local sua embarcação é destruída por uma tormenta, e Lara acaba nas mãos da Trindade, um grupo inescrupuloso que está atrás de poder. Agora a garota precisa descobrir como sair do local e ao mesmo tempo impedir que esta terrível organização tenha acesso aos segredos que a ilha guarda. Apesar de alguns pontos semelhantes a trama do filme segue uma linha diferente da apresentada no jogo de 2013, mais simplificada e menos visceral. No elenco Daniel Wu, Walton Goggins, Kristin Scott Thomas e Derek Jacobi.

Na década de 90, Lara Croft se tornou um ícone dos games rapidamente, virando a musa de toda uma geração. Saltando, ostentando seus pixels voluptuosos e disparando com suas pistolas, a arqueóloga explorava catacumbas com estilo “badass”, rendendo em 2001 e 2003 duas versões cinematográficas estreladas por Angelina Jolie, atriz que estava em sua melhor fase e que possuía culhões suficiente para convencer como a versão de carne e osso da sexy personagem. Com o passar dos anos a saqueador de tumbas foi caindo no esquecimento, seus jogos se tornaram repetitivos e já não chamavam tanto a atenção do público, resultando numa reformulação da franquia com uma pegada similar aos jogos que faziam sucesso na época.

O novo Tomb Raider, lançado em 2013, trazia uma pegada forte de sobrevivência e violência junto a exploração, e uma Lara mais inexperiente e menos curvilínea. Esta versão serviu de base para o novo filme, e a oscarizada Alicia Vikander dá vida ao papel da saqueadora, entregando uma Lara realista, mais pé no chão, ainda que como qualquer sobrevivente em filmes de ação consiga ignorar ferimentos para desempenhar feitos heroicos. Seu principal antagonista, vivido por Goggins, tenta apresentar camadas interessantes através da postura ou de suas motivações para sair da ilha, mas no fim é o típico “chefão-que-lidera-uma-cambada-de-capangas-explorando-inocentes”. Gosto bastante do coadjuvante vivido por Daniel Wu e sua interação com Lara, mas infelizmente isso é pouco desenvolvido pois os personagens ficam separados em boa parte do filme.

Franquias antigas de games não possuíam necessariamente uma história, e sim apenas uma desculpa para conectar as fases do jogo, o que dava liberdade para as produtoras criarem o que quisessem nas adaptações cinematográficas (rendendo coisas lamentáveis como o filme de Mario Bros. ou Double Dragon por exemplo). Em compensação, os games atuais possuem roteiros dignos dos melhores filmes, cheios de reviravoltas e camadas intercaladas com a jogabilidade. Infelizmente isso não tornou as adaptações mais simples, pois agora além de respeitar a base original, os produtores precisam pensar em como o enredo pode funcionar sem o elemento de gameplay e a imersão gerada pelo mesmo.

Tendo em vista tudo isso, acredito que a solução achada pelo diretor Roar Uthaug foi usar elementos clichês de películas do gênero para tapar estas lacunas, criando liga com coisas vistas no jogo – Isso não torna o filme inovador, mas em comparação com outras adaptações como o sofrível Assassin’s Creed, ele se destaca de forma competente. Você consegue ver os elementos da franquia, seja nos quebra-cabeças, nos desafios de sobrevivência, as empolgantes cenas de ação, mas tudo é colocado em doses homeopáticas, carecendo da intensidade apresentada no reboot dos games. Até mesmo a trilha sonora, que empolga quando necessário, ganharia muito com algum tema marcante e memorável.

Mesmo não tendo conseguido explorar todo o potencial da franquia, que em breve terá mais um jogo lançado, Tomb Raider – A Origem é uma aventura divertida e desempenha seu papel em renovar a personagem nas telonas de uma forma honesta. Dentre as produções recentes baseadas em games ele mostra uma qualidade superior, equilibrando os elementos do jogo com algo mais palatável ao público geral. Não foi desta vez que os games tiveram “O” filme para acabar com a má fama das adaptações, mas só o fato dele não ser uma merda completa já vale bastante o ingresso.

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