Filme: Robocop [review]

Filme: Robocop [review]

Robocop_2014_poster_003Hoje vamos falar de um dos filmes mais polêmicos desta temporada. Com a direção do brasileiro José Padilha, o remake de Robocop sofre com o peso de trazer para as telonas uma saudosa e amada franquia dos anos 80, que além de filmes já teve seriados, quadrinhos, games e até mesmo uma animação.

Na Detroit de 2028, o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado após se tornar um obstáculo para um grupo criminoso. Raymond Sellars (Michael Keaton, que encarna uma mistura de Tony Stark e Bill Gates), dono da corporação especializada em robótica OminiCorp (OCP), usa Murphy em um projeto para convencer a população a ficar contra a Lei Dreyfuus, que proíbe o uso de robôs e drones em território americano. Eles mesclam homem e máquina, assim conseguindo dar uma face humana a seu “produto”, driblando a “robofobia” nos EUA. Mas até onde vai o controle da OCP sobre sua criação e sobre o homem que está nela? Como fica a família de Murphy ou mesmo seu livre arbítrio nisso tudo? Durante o filme são abordadas muitas questões políticas e atuais, como a “desumanização” da segurança pública que apenas segue ordens sem questionar, a manipulação das massas pela mídia (representada brilhantemente por Samuel L. Jackson) e o poder influente das grandes empresas. No filme ainda estão os atores Gary Oldman e Jackie Earle Haley.

Fui assistir sem querer fazer comparação com o clássico, mas para o review vamos fazer um paralelo. Apesar da mesma premissa, o remake foge do original em alguns aspectos, ainda que o homenageie com a música tema, frases icônicas e uma cena onde a versão clássica é sugerida como “modelo de combate”. A direção crua e violenta de Paul Verhoeven é marcante e pesada, e a meu ver combinou muito bem com a pegada da década de 80, mas para conseguir PG 13 (classificação tradicional para blockbusters), a nova versão teve que ser mais branda na carnificina (ainda que a cena onde desmontam o Robocop, mostrando o que sobrou de Murphy, me deixou arrepiado). Padilha conseguiu trazer muito do que mostrou em Tropa de Elite, focando na abordagem familiar do protagonista, a corrupção do sistema e até a ação militar convincente. Assim como o primeiro Robocop, ele aborda temas atuais e consegue ter mais camadas que um filme de ação padrão. Falando em ação, ela é boa, com efeitos caprichados e um design de tecnologia crível, mas ainda achei que a usaram com parcimônia.

Joel Kinnaman

Como acontecem com muitos remakes, algumas pessoas entram no cinema já com uma opinião negativa, pois queriam algo 100% fiel ao original. Eu lhes digo: PAREM COM ISSO!! Se querem o original, vejam o original que está lá intocável no seu DVD/Bluray, este é um filme novo com uma abordagem nova feita por outras cabeças. Se você viu no trailer o Robocop pular, soltar pipa e jogar bola e falou “mas o antigo era duro e não fazia isso, este parece o Homem de Ferro”, é melhor você nem ver – Fica em casa vendo em looping o clássico e economiza sua grana.

Dividindo opiniões, Robocop é um filme corajoso em sua base, mas não chega a ser um filme espetacular (ao menos é melhor que o remake de O Vingador do Futuro). Lembrando que além de José Padilha, o desenhista João “Azeitona” Vieira também trabalhou com o personagem, ilustrando a revista Robocop – Memento Mori, parte de uma mini-série no universo do novo filme publicada pela Boom! Studios. Se você consegue entender que um remake é uma nova proposta e sabe separar as coisas, pode ir ao cinema vai encontrar um filme de ação bom que levanta questões pertinentes sobre o mundo de hoje.

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