Filme: O Passageiro [Review]

Filme: O Passageiro [Review]

Nos anos 80 o cinema de ação era famoso por seus astros brucutus, mas de uns tempos pra cá são poucos os atores que mantém esta tradição. Um deles é Liam Neeson, e em O Passageiro ele mostra mais uma vez que não é bom se meter com sua família (e nem fazer parte dela, sempre dá merda).

O ex-policial Michael McCauley (Liam Neeson) perde o seu emprego numa corretora de seguros ao qual trabalhou por dez anos. Ao pegar o trem que está habituado diariamente, recebe uma proposta de uma misteriosa mulher (Vera Farmiga) e vai descobrir que as consequências de sua escolha poderão afetar sua vida, dos passageiros do trem e de pessoas muito poderosas. Mesmo não sendo uma trama original, conduz o mistério e tensão com um ritmo muito bom. No elenco Sam Neil, Patrick Wilson, Elizabeth McGovern e Jonathan Banks.

Esta é a terceira parceria entre Liam Neeson e o diretor espanhol Jaume Collet-Serra, e desta vez eles trazem um filme com ritmo acelerado e uma ação às vezes claustrofóbica dentro de um trem. O diretor usa e abusa de movimentos ousados de câmera para acrescentar dinamismo à narrativa, porém em alguns momentos achei os recursos deslocados e exagerados, principalmente quando usados em cenas de calmaria. Todo o mistério ocorre como um truque de mágica, muitas vezes jogando na sua cara um excesso de pistas para te distrair da solução, mas com uma boa dose de atenção é possível captar tudo de forma clara. As poucas cenas de luta direta que acontecem valem pela intensidade, com uma coreografia bem feita que usa o ambiente fechado do trem a seu favor.

Mesmo tendo sido Zeus, treinado um Jedi e o Batman, Neeson ganhou o status de ator de ação graças a franquia Busca Implacável, onde interpreta um ex-agente do governo que não mede esforços para resgatar sua família. Desde então ele tem feito muitos personagens parecidos com este, mudando uma coisa aqui e ali mas mantendo a mesma essência. Mais recentemente o adendo tem sido meios de transporte como o avião em Sem Escalas (também dirigido por Jaume) e agora um trem.

Este estilo me lembra muito os brucutus de antigamente como Schwarzenegger e Van Damme, que firmaram suas carreiras com filmes que quase seguiam uma fórmula – o que não é ruim, pois acho que o cinema precisa também deste tipo de obra mais escapista para entreter e fazer vibrar sem compromisso. Logo na introdução do filme existe uma cena até interessante mostrando simultaneamente a fases da rotina de Michael, seus altos e baixos com a família e tudo que passou até chegar ao ponto onde começa a trama em si, fazendo com que você compre a causa do mesmo. Infelizmente até o fim do filme algumas coisas ficam confusas e mal-desenvolvidas no meio da correria, o que incomoda um pouco, mas não é estranho numa película desta linha.

Para todos aqueles que curtem uma ação das antigas no melhor estilo Domingo Maior, O Passageiro é um prato cheio. Nem todo filme precisa ser uma obra de arte que te faça sair pensando sobre a vida, algumas vezes o que você precisa é de um trem cheio de passageiros, um mistério e um Irlandês querendo proteger sua família a qualquer custo. Que venham mais filmes assim!

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