Filme: Nós [Review]

Filme: Nós [Review]

O chamado “pós-terror” tem ganhado força no cinema, com filmes que revigoram o gênero cheio de clichês de uma maneira moderna e cheia de tensão. Nós é a nova aposta do diretor Jordan Peele, que mais uma vez mostra como sustentar o mistério para prender o espectador.

Acompanhamos Adelaide (Lupita Nyong’o) e seu marido Gabe (Winston Duke) viajando com os filhos para passar um tempo numa casa na praia. Tudo parece um fim de semana normal em família, porém certas memórias de Adelaide se intensificam no mesmo instante em que um grupo de estranhos surge diante sua casa. No elenco Elisabeth Moss, Anna Diop e Yahya Abdul Mate.

No primeiro ato somos apresentados a elementos aparentemente banais e estranhos que surgem em um flashback, sendo levados em seguida a conhecermos as principais características da família protagonista de uma forma descontraída e despretensiosa. Em momentos específicos temos uma atmosfera de estranheza, que será explorada e desenvolvida a partir do segundo ato, quando as coisas degringolam de vez. Não quero me aprofundar nos mistérios e estranhezas da trama, mas preciso dizer que ela envolve pessoas estranhas idênticas aos protagonistas, e neste ponto vemos um show de atuação dos atores pois eles conseguem desempenhar papéis diferentes de forma versátil. Meu destaque vai para Lupita, que coloca trejeitos e peculiaridades únicas na sua performance, o que é ainda mais valorizado nos planos fechados em seu rosto.

Assim como em Corra!, Jordan Peele trabalha a cultura negra com uma abordagem natural, trazendo representatividade sem precisar ser panfletário. As situações ao longo do filme colocam Adelaide diante dos principais desafios para proteger sua família, mostrando como Lupita foi uma ótima escolha para desempenhar um papel feminino tão forte. Nota-se também alguns pontos marcantes da direção de Peele, como mostrar a reação dos personagens diante de algo que o espectador ainda não tem conhecimento e o desconforto diante de uma cena onde nada acontece mas qualquer coisa pode acontecer.

Assim como os protagonistas, o público também fica perdido diante das situações estranhas que vai ocorrendo, o que é excelente pois só aumenta a tensão. São usados elementos iconográficos bem interessantes que permitem tentar adivinhar os mistérios, no entanto o terceiro ato tem uma explicação das coisas, fazendo que as coisas que estavam subentendidas e pareciam curiosas se tornarem um pouco simplórias quando mostradas em tela.

Mesmo com alguns pontos previsíveis, Nós vale pela atmosfera de tensão, narrativa apreensiva e ótimo elenco. Com humor pontual e um suspense constante, este filme mostra que este novo jeito de fazer terror está indo num caminho certo.

(Obs. Vou colocar o trailer aqui, mas eu recomendo que não veja e mantenha a experiência mais completa).

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