Filme: Motorrad [Review]

Filme: Motorrad [Review]

Dê uns tempos para cá o cinema tem descoberto boas histórias com potencial cinematográfico nos quadrinhos (até nos que não são de super-heróis) e parece que o Brasil está começando a perceber isso também. Motorrad é baseado em uma HQ de Danilo Beyruth, levando às telas uma história de terror com uma pegada trash na medida.

Acompanhamos o jovem Hugo (Guilherme Prates) que após furtar de um ferro velho um carburador para sua moto, une-se a seu irmão Ricardo (Emílio Dantas) em uma trilha de motocross, mas no meio do caminho encontram a misteriosa Paula (Carla Salle) que os leva para um caminho diferente, e lá eles terão que enfrentar quatro perigosos motoqueiros com sede de violência. Uma trama simples, direta e sem rodeios como todo bom “slasher movie” costuma ser. No elenco Juliana Lohmann, Pablo Sanábio e Jayme Del Cueto.

Não cheguei a ver o quadrinho para fazer comparação, mas o universo construído para o filme serve bem ao que a história pede. O diretor Vicente Amorim consegue criar uma atmosfera de thriller psicológico muito boa, ainda que o filme evoque um ar de filme trash que agrega um certo charme ao mesmo. A maioria das cenas de ação tem qualidade, apesar que as coreografias de perseguições com motos poderiam ter sido melhor elaboradas. Um dos principais pontos fortes é a bela fotografia, com tons dessaturados que valorizam o clima de abandono na Serra da Canastra, Minas Gerais, local onde foram feitas as gravações do longa. O primeiro ato é o melhor do filme, já o segundo tem uma barriga e o terceiro tem sérios problemas de ritmo que atrapalham o clímax da ação, mas nada que comprometa o longa em si.

Além da trama ser rasa os personagens também são, impossibilitando que você se apegue ou se importe com os mesmos no decorrer da história. Você consegue pegar fragmentos de personalidade nos poucos diálogos e falas existentes, e todos enquadram os personagem em clichês simplórios. Talvez estes fatores tenham colaborado para as atuações sem muito destaque dos atores. Na primeira aparição os antagonistas da história parecem uma espécie de “Power Rangers do inferno”, trajando suas roupas pretas e fechadas de motoqueiro, fazendo poses ao lado de suas motocas, sempre silenciosos. Senti a falta de elementos que trouxessem uma identificação para cada um, pois a princípio todos são muito iguais – tirando o líder que ostenta um facão estiloso, mas ao menos eles são bem criativos e gostam de matar usando técnicas diferentes para cada alvo. Existem alguns elementos sobrenaturais no filme, mas são pouco explorados e as vezes mal encaixados. Um melhor desenvolvimento disso deixaria a coisa mais interessante, mas se era pra deixar a coisa tão rasa, que deixassem o mistério no psicológico e sem nada do além.

Mesmo com seus problemas, Motorred tem seu valor e se diferencia do que é comumente apresentado no cinema nacional, tanto que está recebendo indicações em festivais aí fora. Que cada vez mais novas empreitadas como essa sejam feitas, que mais quadrinhos deem origem a películas, que novos gêneros sejam explorados pelos produtores tupiniquins, e que com o tempo o público consiga ver que cinema brasileiro vai muito além de youtubers, comédias globais e filmes de favela.

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