Filme: Millennium – A Garota na Teia da Aranha [Review]

Filme: Millennium – A Garota na Teia da Aranha [Review]

Nem todas as franquias no cinema possuem correlação entre seus filmes e, no caso de adaptações de livros, é comum que ganhem uma interpretação bem pessoal do diretor da vez. Millennium – A Garota na Teia da Aranha tem uma linha mais “pipocão” se comparado aos seus antecessores, mas não é de todo mal.

A hacker Lisbeth Salander (Claire Foy) atua fazendo justiça contra homens que maltratam mulheres, mas se meteu em um grande problema ao ser contactada por Balder (Stephen Merchant). Após criar um algoritmo para os EUA capaz de controlar qualquer sistema bélico digital, Balder se arrepende e deseja que Lisbeth o recupere. A trama se complica, fazendo com que Lizbeth seja perseguida e tenha que entrar em contato novamente com o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) porém, além disso vai descobrir que coisas do seu passado seguem vivas, e estão ligadas diretamente a todo o caso. No elenco Sylvia Hoeks, Lakeith Stanfield, Cales Bang e Vicky Krieps.

A série Millennium teve seus três primeiros livros escritos pelo jornalista sueco Stieg Larsson, que usou como base de sua trama a violência sexual devido a um trauma na juventude após presenciar o estupro coletivo de uma jovem. Por não se perdoar em não ter ajudado a garota, homenageou a mesma batizando a protagonista de sua história com seu nome – Lisbeth. Estes três primeiros livros tiveram ótimas adaptações pela companhia sueca Yellow Bird, onde Noomi Rapace dava vida a hacker underground. mais tarde o primeiro livro ganhou uma versão Hollywoodiana, dirigida por David Fincher e estrelando Rooney Mara como Lisbeth e Daniel Craig como Mikael. O filme é bom, apesar da versão sueca ser ainda melhor. Como Larsson faleceu, mais dois livros foram escritos pelo autor também sueco David Lagercrantz para dar sequência à saga, e este filme adapta o primeiro deles, A Garota na teia da Aranha.

Para esta sequência foi chamado o diretor Fede Alvarez, que após trabalhar em filmes com uma pegada mais de terror como o remake de A Morte do Demônio e O Homem nas Trevas, traz uma atmosfera menos sinistra e com um enfoque maior na ação. A sua abordagem sobre Lisbeth ficou um tanto rasa se comparada às versões anteriores, sem se aprofundar muito nas particularidades da mesma. Ainda que a trama se baseie em explorar o passado da personagem e sua família, tudo fica muito fraco. Eu não sei se foi a diferença de idade entre os atores nas adaptações, mas eu não consegui vê-los como os mesmos personagens do filme passado, principalmente Mikael Blomkvist que não fede nem cheira no filme. Parece que realmente Alvarez quis dar sua visão particular sobre a franquia, ignorando o que já havia sido feito e implementando uma nova abordagem, com uma ação que parece ter saído de Missão: Impossível ou Velozes e Furiosos. Se você enquadrar o filme neste gênero ele fica aceitável, mas com certeza fica abaixo do que a franquia merecia.

Gosto da atuação de Claire Foy, mas essa Lisbeth que o roteiro apresenta não permite que ela explore as camadas mais densas da personagem, coisa que ela poderia fazer com maestria. Ela não parece tão “dark” ou perigosa quanto as versões encarnadas por Rapace e Mara e, tendo em vista que este filme adapta o quarto livro, era esperado uma versão ainda mais imponente e experiente da personagem, porém aqui ela parece ser mais nova do que antes. A trama em si tem sacadas interessantes mesmo se rendendo a soluções previsíveis em boa parte do tempo (até quando vão usar criança prodígio como elemento de narrativa?). Devo confessar que quando assisti fui tão levado no embalo que só me liguei de alguns furos quando fui digerindo o filme fora da sala de cinema, isso fala um pouco de seu ritmo.

Caso esteja esperando algo mais denso na linha das adaptações anteriores, pode ficar decepcionado, mas se for com a mente aberta para ver algo diferente e com uma nova interpretação dos personagens, talvez consiga achar Millennium – A Garota na Teia da Aranha interessante. Não sei se pretendem adaptar os outros livros, mas existe uma série sueca baseada na franquia com seis episódios – eu não vi, mas parece ter potencial.

Deixe um comentário

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.