Filme: Mentes Sombrias [Review]

Filme: Mentes Sombrias [Review]

Livros para adolescentes costumam ser uma aposta das produtoras para adaptações cinematográficas, partindo do princípio que já vão atrair o público em massa do livro. Mentes Sombrias agrega várias referências de outras franquias em uma película despretensiosa e muito carismática.

Após uma pandemia que afetou e exterminou muitos jovens e crianças nos EUA, os que sobreviveram passaram a desenvolver habilidades especiais diferenciadas, sendo classificados e alocados pelo governo em centros de controle muito parecidos com campos de concentração. Neste mundo distópico, acompanhamos a jovem Ruby (Amandla Stenberg) portadora de um dos tipos mais raros e perigosos de poderes – controle da mente. Ela se une a outras crianças com poderes em busca de uma forma de sobreviver a este caos. No elenco Harris Dickinson, Mandy Moore, Gwendoline Christie, Golden Brooks, Miya Cech e Skylan Brooks.

A obra da escritora Alexandra Bracken não é muito conhecida no Brasil (aparentemente teve só o primeiro livro lançado e com o filme vai ser relançado pela editora Intrínseca) mas é composta de uma trilogia, ideal para uma adaptação cinematográfica. Para este trabalho a diretora sul-coreana Jennifer Yuh Nelson (de Kung Fu Panda 2 e 3) trabalhou com produtores de Stranger Things, refletindo numa atmosfera que lembra um seriado da Netflix. Basicamente a história é um “road movie” em sua maior parte do tempo, possibilitando trabalhar o entrosamento dos protagonistas, ainda que os coadjuvantes tenham sido pouco explorados. Pode-se notar influências diversas como Jogos Vorazes, Divergente e até X-Men, mas tudo de forma homogênea e equilibrada. Talvez o único problema é que as coisas acabam soando um tanto quanto previsíveis rapidamente.

Acredito que o orçamento da produção não tenha sido muito grande, pois os efeitos em sua maioria são práticos, as locações não são muito elaboradas, e o elenco economiza em nomes grandes mas esbanja em carisma. Pra começar temos a protagonista vivida por Amandla Stenberg, que derreteu corações como a pequena Rue em Jogos Vorazes e segura o filme numa boa, e tem uma química bacana com Harris Dickinson. Nem preciso comentar o quão bem faz para representatividade uma protagonista negra e com cabelos cacheados, parece bobagem faz uma baita diferença. O resto do elenco também desempenha um bom papel, mas meu destaque vai para a pequena Miya Cech, cheia de personalidade e doçura na tela mesmo quando usa seus poderes de eletricidade. Falando em elementos pouco explorados, temos Gwendoline Christie novamente tendo pouco destaque, como ocorreu nos últimos Star Wars, uma pena.

Ao contrário de outras distopias adolescentes que pegaram carona com Jogos Vorazes e não conseguiram emplacar, Mentes Sombrias chega de forma modesta e despretensiosa, com uma pegada mais leve que pode fazer sucesso com o público geral, ainda mais com o lance de poderes que remete a produções de super-heróis. O filme tem suas falhas mas diverte e cativa e, certamente vai conseguir bilheteria suficiente para garantir suas sequências.

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