Filme: Máquinas Mortais [Review]

Filme: Máquinas Mortais [Review]

Em tempos onde livros já tem direitos comprados pro cinema antes do lançamento, não é incomum ver adaptações literárias com nomes de peso na produção. Máquinas Mortais tem produção de Peter Jackson, apresentando um mundo distópico interessante, porém grande demais pra um filme só.

Com o mundo devastado após a chamada “Guerra dos 60 Minutos”, as sociedades se organizaram em cidades nômades motorizadas, num sistema onde as grandes devoram as pequenas para adquirir sua mão de obra e tecnologia. Acompanhamos Hester Shaw (Hera Hilmar) em sua busca por vingança contra Thaddeus Valentine (Hugo Weaving) figura importante da poderosa Londres com planos obscuros. Com a ajuda do jovem estudioso Tom Nathsworty (Robert Sheehan) ela pretende impedir os planos de Valentine e obter sua vingança. No elenco Jihae, Ronan Raftery, Leila George e Stephen Lang.

O universo apresentado no filme é baseado na saga de livros escrita por Philip Reeve, com o estreante na direção Christian Rivers. Talvez por ter trabalhado tanto tempo como produtor, Rivers optou por ficar bastante no visual, com forte referência a games como Bioshock e Final Fantasy e um clima de caos na pegada Mad Max. O problema é que o filme está toda hora jogando na tela novos conceitos e personagens sem deixar que o público crie empatia por eles, fazendo com que ninguém se importe com o rumo que as coisas vão tomando. A quantidade de elementos apresentada teria sido muito melhor trabalhada se diluída em uma trilogia ou mesmo seriado, isso que o filme tem duas horas e pouquinho de duração. Inclusive, muitos personagens são introduzidos e descartados conforme a conveniência do roteiro.

Os protagonistas não tem muito carisma, até mesmo a valente Hester Shaw, que passa por uma mudança de personalidade um tanto forçada. Acaba aparecendo uma subtrama que explora o passado dela e desvia o foco da história, ainda que seja resolvido antes do clímax. Todos os outros personagens são um festival de clichês, muito bem trabalhados no estilo visual mas completamente vazios. Até mesmo Hugo Weaving, que é um baita ator, está atuando no modo automático. Mas a culpa também é do roteiro, que não consegue entregar diálogos interessantes, trabalhando e re-trabalhando informações que já foram compreendidas pelo público.

Mais um filme com visual bonito e universo interessante, porém mal explorado. Fica evidente todo o potencial que Máquinas Mortais teria de alcançar o nível épico ao qual pretendia, mas infelizmente as grandes máquinas não conseguem chegar lá. Fiquei curioso para ver o livro, onde a história deve ser mais cadenciada e os elementos melhor trabalhados. Como uma aventura despretensiosa para se ver no cinema está valendo, mas não passa disso. A série é formada por quatro livros, mas não sei se este filme fará sucesso suficiente para emplacar uma sequência. Uma pena, tendo em vista que o sub-gênero do steampunk tem poucos representantes em Hollywood.

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