Filme: Johnny English 3.0 [Review]

Filme: Johnny English 3.0 [Review]

Comédia é sem dúvida um dos gêneros mais complicados de se acertar, pois o limiar entre o genial e o irritante é muito sutil, sem falar que algumas fórmulas acabam não envelhecendo tão bem. Johnny English 3.0 explora o contraste do novo com o antigo na trama, mas no humor fica só no antigo mesmo.

Quando a inteligência britânica é ataca por um hacker e tem todos os nomes de seus agentes em campo vazados, só resta chamar alguém da velha guarda para resolver este caso. Adepto aos antigos métodos de espionagem, Johnny English (Rowan Atkinson) e seu fiel ajudante Bough (Ben Miller) vão lidar com uma femme fatale russa e um vilão cheio de recursos. No elenco Emma Thompson, Olga Kurylenko e Jake Lacy.

Eu acho o trabalho de Rowan Atkinson brilhante, sem dúvida o humor físico dele é um dos melhores de seu tempo. Famoso por sketchs e principalmente pelo personagem Mr. Bean, ele vem tentando emplacar este Johnny English desde 2003, mas este lance de fazer piada sobre os clichês de super-espiões já esta desgastado a décadas e, se não for algo com uma proposta realmente inovadora, acaba sendo mais do mesmo. Com tantos filmes que reinventaram a forma de se fazer espionagem no cinema como Jason Bourne, Missão: Impossível e afins, ainda insistem em se apegar a sátira dos filmes de James Bond da década de 80. O humor britânico tem suas particularidades, um certo ar de nonsense que exige uma suspensão de descrença para que funcione (Monty Phyton que o diga) e ao menos com Mr. Bean víamos Atkinson ser bem-sucedido nisso, só que English parece não alcançar o carisma necessário para que o personagem ganhe o publico.

O diretor David Kerr tem problemas no ritmo e timing do humor, fazendo colocações óbvias e previsíveis que tiram toda a força do punch final da piada. Muito do que é apresentado parece familiar, como se já tivéssemos visto em algum lugar antes, e até mesmo a estrutura de sketch nas cenas não engrena. Nas verdade existe uma piada muito boa no começo com alguns atores renomados, mas parece que ela sugou todo o humor disponível pra película. Para combinar com o estilo de filme, a maioria dos atores segue uma linha canastrona e exagerada, o que acaba servindo de escada para a performance de Atkinson na maior parte das vezes.

Com potencial de ser melhor mas se rendendo a clichês e um humor previsível, Johnny English 3.0 pode até conseguir tirar algumas risadas ocasionais, mas é completamente esquecível após sair da sala do cinema. Torço para que Rowan Atkinson invista em projetos que permitam explorar melhor seu talento.

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