Filme: Jogador Nº 1 [Review]

Filme: Jogador Nº 1 [Review]

A tecnologia da realidade virtual ainda não emplacou de vez, mas na ficção-científica ela está estabelecida há tempos, dando vida aos mais fantásticos universos digitais. O livro Jogador Nº 1 apresenta uma história onde a realidade virtual serve de fuga para as pessoas em meio a um mundo desgraçado, e agora a obra do escritor nerd Ernest Cline finalmente ganha vida nas mãos de ninguém menos do que Steven Spielberg.

O ano é 2044, o mundo está com recursos escassos e sem esperanças, e para fugir dos problemas reais a humanidade vive imersa no OASIS – um mundo virtual onde você pode ser o que quiser e ir onde imaginar. O criador do OASIS, James Halliday (Mark Rylance) em sua morte deixou um vídeo explicando que espalhou enigmas pelo seu sistema, os chamados “easter eggs”, e aquele que conseguir desvendá-los se tornará dono da OASIS,  herdando também sua fortuna. Muitas pessoas passaram a caçar esses easter eggs, incluindo o jovem Wade Watts (Tye Sheridan) mas o garoto vai perceber que quanto mais perto chega de seu objetivo, mais riscos corre no mundo real nas mãos da IOI, uma organização que não medirá esforços para vencer este jogo. No elenco Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller e Simon Pegg.

O livro de Ernest Cline foi lançado em 2011, fazendo barulho por ser uma ode à cultura pop dos anos 80, recheado de referências a filmes, músicas, games, séries e quadrinhos, uma bomba de nostalgia no coração dos nerds. Tendo em vista isto, Spielberg na direção foi um tiro certeiro, pois muitas de suas obras são referenciadas no livro e ele já tem experiência em trabalhar com filmes aventurescos. O diretor se saiu muito bem lidando com elementos atuais como referências a mecânica de games e personagens que talvez ele nunca tivesse visto  (quando você imaginou que veria Spielberg dirigindo uma cena com um Gundam?). Como toda adaptação de livro, precisaram cortar e mudar muita coisa, mas acredito que houveram mais acertos do que erros na conversão de mídia.

Os desafios para alcançar os easter eggs no filme envolvem mais ação, ao contrário do livro que segue uma linha de quebra-cabeças e habilidade em jogos e charadas. Wade ainda é um estudante no livro e a escola é um cenário bem relevante, ao qual o filme sequer menciona. As interações dos personagens fora do OASIS são antecipadas, porém se perde muito do desenvolvimento da relação entre eles, principalmente no caso dos personagens Daito e Sho. As referências no cinema se tornam mais poderosas através de coisas que o livro não tem, como trilha sonora e a própria imagem em si. Eles fazem uso inclusive do que eu chamo de “recurso onde está Wally?”, com planos abertos em cenários espaçosos cheios de personagens diferentes interagindo entre si, recurso que também foi usado em filmes como Detona Ralph, Lego: O Filme e outras obras que tem a referência como parte de sua proposta.

Ao contrário de outros filmes que tentam emular a realidade com os efeitos especiais, Jogador Nº1 tem a liberdade de não seguir esta regra e emular gráficos de videogame, afinal este é o contexto de tudo e muitas vezes você se sente mesmo vendo a CGI de algum jogo, ou de vários, se contar as referências. Ao contrário do livro que foca mais em coisas da década de 80, o filme abrange coisas dos anos 90 pra cima também, deixando assim a coisa divertida para o público atual e não só para os “veios” nostálgicos. A grande batalha do terceiro ato é aquela cena pra você ver pausando, reparando nos detalhes da horda de personagens que aparecem na tela (tem pra todos os gostos, do boneco Chucky ao Spawn). Esta grande batalha, que tinha uma montagem muito mais épica no primeiro trailer, ficou parecendo em sua versão final um MMORPG com personagens diversos e coloridos se digladiando entre si – o que até não é ruim no contexto do filme, mas eu acharia o tom épico mais interessante.

Gostei de Sheridan como Wade, a cara dele de “tadinho” combinou com o aspecto imaturo e até um pouco inocente que o personagem sustenta por boa parte da trama. As versões virtuais dos personagens fogem um pouco de suas descrições no livro, mas suas versões reais estão muito fiéis, com destaque para a Olivia Cooke, Lena Waithe e Mark Rylance como Samantha, Aech e Halliday respectivamente. Ben Mendelsohn parece ter vocação para fazer burocratas poderosos com sede de poder, pois seu Sorrento segue bem a linha de Krennic, seu personagem em Rogue One. Por falar em Star Wars (que a Disney não cedeu o direito de uso dos personagens mas ainda assim tem uma citação no filme) uma coisa que me incomodou foi a maquiagem de velho no Simon Pegg, que o deixou a cara do Imperador Palpatine.

Não é necessário ser um nerd para gostar deste filme, ele consegue divertir até o civil que não conhece muito deste mundo e explica o básico para que ele não se perca, porém se você for nerd vai sentir um gostinho a mais a cada personagem e citação que pipocar na tela. Jogador Nº1 é uma aventura cheia de efeitos, uma grande homenagem a cultura pop e além disso ainda toca em assuntos relevantes como o valor que as pessoas dão ao mundo virtual sobre o real.

Lembrando também que no site oficial do filme tem vários joguinhos divertidos (você pode conferir clicando AQUI).

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