Filme: Homem-Aranha: No Aranhaverso [Review]

Filme: Homem-Aranha: No Aranhaverso [Review]

A Sony foi perdendo a mão com os filmes do Aranha, tanto que precisou fazer um acordo com a Marvel Studios para acertar com o terceiro reboot do personagem. Como ela tem em mãos muito material do teioso pra usar, resolveu produzir uma animação que evoca os quadrinhos de uma forma inovadora, Homem-Aranha: No Aranhaverso.

Miles Morales é um jovem do Brooklyn que precisa lidar com seus problemas pessoais enquanto usa suas habilidades especiais para assumir o manto de Homem-Aranha. No entanto, uma versão alternativa de Peter Parker entra em contato com ele, dizendo que veio de outra dimensão e que existem outras versões do herói oriundas de planos paralelos. Agora eles terão que unir forças para enfrentar uma poderosa ameaça.

O Aranhaverso foi uma saga que aconteceu nos quadrinhos e uniu versões diferentes do Homem-Aranha contra um perigo extradimensional. Um dos pontos altos desta saga foi a interação entre variações tão distintas do “cabeça de teia”, e isto pode ser visto nesta animação. Cada personagem tem sua própria estética e estilo, diferenciando-se inclusive na animação. Misturar estilos variados de animação pode parecer estranho, mas como visto em O Incrível Mundo de Gumball, se usada de maneira certa esta mistura só ajuda na identificação e personalização de cada personagem. Por razões óbvias não vemos TODAS as versões do cabeça de teia que aparecem na saga, mas as que protagonizam a história são muito carismáticas e trabalham muito bem juntas.

O foco de tudo está em Miles, que tem sua personalidade bem apresentada e seus conflitos trabalhados de forma intensa e até mesmo profunda para uma animação de super-herói. Eles usam hip hop e graffiti para destacar os elementos do Brooklyn em Miles, dando atitude e personalidade ao mesmo. Destaco também a presença de Gwen Stacy (que no original tem a voz feita por Hailee Steinfeld, protagonista do recente Bumblebee), Homem-Aranha Noir (dublado por Nicholas Cage) e o Porco-Aranha (que ao contrário do que muitos pensam não nasceu no desenho dos Simpsons, e sim nas páginas de quadrinhos). Mesmo tendo cometido seus equívocos com o personagem, aqui a Sony explora de forma assertiva muito do que o aranha pode oferecer, enchendo a tela com easter-eggs e referências que vão dos quadrinhos aos próprios filmes anteriores.

Os diretores Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti visivelmente tinham como foco adaptar um quadrinho para as telas da maneira mais fiel possível, não só pelo visual que consegue empregar efeitos nas cores, enquadramentos, recordatórios e onomatopeias de forma harmônica, como também na própria animação que não é totalmente fluída em alguns momentos, intensificando a sensação de estar vendo uma página de hq. Os produtores Chris Miller e Phil Lord também trouxeram muita coisa do que empregaram em Uma Aventura LEGO, o que fica evidentes principalmente na narrativa dinâmica, composições de cenas e inserções súbitas. Destaco também a trilha sonora Daniel Pemberton, que além de empolgante mistura batidas marcantes para cada personagem, principalmente para Miles.

Sem dúvida alguma este filme é uma das melhores produções cinematográficas já feitas com o aracnídeo, tanto que ganhou um Globo de Ouro e certamente tem grandes chances de levar um Oscar na categoria de animação. Homem-Aranha: No Aranhaverso é uma grande homenagem ao legado do personagem e sua presença na cultura pop, e acredito que ainda vai render muitos derivados. A conexão direta com o estilo visual e narrativa das hqs vai agradar aos fãs de quadrinhos e, certamente, vai levar muita gente a querer saber mais desses personagens nas páginas de gibi – só por isso já vale muito!

(obs. O filme tem uma cena pós-créditos ao fim de tudo, mas é extremamente divertida).

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