Filme: Bumblebee [Review]

Filme: Bumblebee [Review]

Você nota que uma série de filmes já não sabe mais para onde ir quando ela volta pro passado, e Transformers estava precisando de uma renovação. Situado antes dos primeiros filmes, Bumblebee é um prequel que procura evocar a simplicidade do primeiro filme numa aventura oitentista cativante e divertida.

Voltamos aos anos 80, onde acompanhamos a jovem Charlie (Hailee Steinfeld) uma típica adolescente rebelde passando pelos dilemas e conflitos da idade. No dia de seu aniversário de dezoito anos, ela adquire um fusca em um ferro-velho sem saber que na verdade se tratava de um robô alienígena. Batizado de Bumblebee pela garota, o robô veio à Terra do planeta Cybertron, onde o pau come solto entre os Autobots e Decepticons. Sua missão é estabelecer uma base de refúgio para os Autobots, mas ele terá que lidar caçadores Decepticons, militares do governo e outros perigos. Em meio a tudo isso, um grande elo de amizade e companheirismo é estabelecido entre a menina e a máquina. No elenco John Cena, Jorge Lendeborg Jr. e John Ortiz.

O primeiro filme da franquia em 2007 fez um enorme sucesso, misturando história de adolescente se descobrindo e adquirindo seu primeiro carro com uma trama de alienígenas cibernéticos se degladiando em meio a explosões. O problema foi que a cada novo filme o diretor Michael Bay foi aumentando a escala dos efeitos e da ação, deixando de lado os elementos humanos, cada vez mais dispensáveis. Em Bumblebee, o diretor Travis Knight (Da animação Kubo e as Cordas Mágicas) pisa no freio do “massaveísmo”, focando na relação entre a protagonista e o alienígena, usando a ação como um mote para desenvolver ainda mais ambos os personagens e sua conexão.

A escolha de Bumblebee como protagonista foi certeira, ainda mais pelo fato dele ser um dos mais carismáticos dos Autobots. Desta vez ele está com as formas mais arredondadas, ainda mais expressivo, inocente, funcionando bem como alívio cômico e em alguns momentos até lembrando um pet. A relação dele com Charlie é muito boa, ainda mais que podemos acompanhar o desenvolvimento da garota, que começa como uma adolescente chata e se transforma ao longo do contato com Bee em uma pessoa mais aberta ao mundo. O diretor explora muitas cenas apenas com os dois, fazendo ângulos fechados para captar as expressões de ambos. Nenhum dos outros coadjuvantes tem muito destaque, o que de certo modo não atrapalha pois permite um foco maior nos protagonistas.

Por ser uma história passada nos 80, nota-se uma forte referência a ficções-científicas clássicas de alienígenas fugitivos se escondendo do governo. O filme não esconde isso, tanto que faz muitas referências a série Alf – O ETeimoso, por exemplo. A trilha sonora também é recheada de clássicos oitentistas, seguindo a escola Guardiões da Galáxia, ainda que algumas das músicas estejam presentes mais pela nostalgia do que pelo contexto da cena. Como se trata de um prequel, o visual dos robôs foi reformulado, remetendo diretamente a versão usada nas animações e brinquedos antigos. Uma coisa que às vezes me incomoda na franquia, até mesmo no primeiro filme, é a forçação de barra para colocar os protagonistas humanos no meio da ação. Aqui isso acontece, porém Charlie ajuda em uma coisa aqui e ali, deixando o protagonismo mesmo para Bumblebee (o nome dele tá no título, era o mínimo, né?).

Depois de tantos anos foi bom poder ficar satisfeito ao sair de um filme dos robôs transformistas. Bumblebee prova quem em alguns casos a simplicidade é melhor que um excesso de pirotecnia sem contexto. Com ares de nostalgia e Sessão da Tarde, acredito que a bilheteria do filme vai ser uma boa resposta para os produtores, e espero que nos próximos filmes eles procurem seguir algo nessa linha.

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