Filme: Bohemian Rhapsody [Review]

Filme: Bohemian Rhapsody [Review]

A nova onda que vem ganhando força no cinema são as adaptações biográficas de figuras musicais, afinal, você pega um nicho de fãs pronto e ainda trabalha histórias interessantes. A bola da vez é Bohemian Rhapsody, um retrato da carreira de Freddy Mercury e do Queen.

O filme é focado na trajetória de Freddy Mercury (Rami Malek) mostrando como ele conheceu seus companheiros de banda, a ascensão, as polêmicas e os conflitos de uma verdadeira família que conquistou o mundo inteiro com seu talento. No elenco Ben Hardy, Joseph Mazzello, Gwilym Lee, Lucy Boynton e Mike Myers.

Uma adaptação biográfica não necessariamente precisa mostrar toda a vida da pessoa, mas sim pegar recortes de momento que caibam dentro de uma narrativa para se construir uma história. A produção trabalhou com supervisão dos membros da banda, o que fica nítido pela abordagem da união entre eles e a sutileza ao tocar em temas polêmicos da vida de Freddy. A maior parte do filme foi dirigida por Bryan Singer, que após desentendimentos abandonou a produção, que acabou sendo finalizada por Dexter Fletcher. Acho que esta mudança se reflete no ritmo do filme, que em boa parte segue com transições criativas e um foco dinâmico nas interações dos personagens, mas um pouco antes do clímax, quando mergulha no drama, fica meio enrolado.

Malek não tem o mesmo porte físico de Mercury, nem sua fisionomia é tão parecida (mesmo com a prótese nos dentes) mas ele consegue convencer como o cantor, evocando seus trejeitos e até a imposição nas falas. A edição da voz ficou perfeita, pois você acredita que aquela voz está saindo 100% do ator. Os outros integrantes da banda são bem trabalhados e desenvolvidos em sua maioria, sem falar que o visual está muito fiel. Focam em momentos da banda onde cada um contribuiu de algum modo para a composição de uma música, ideia para alguma inovação e coisas do gênero, o que reforça a unidade da banda. No segundo ato o filme constrói um vilão para intensificar a trama, uma pessoa que aos poucos corrói a estrutura da banda e é responsável por levar a história a um viés mais dramático e, por mais piegas que seja, acho que funciona bem dentro da proposta. Destaco a participação de Mike Myers e uma referência a um de seus filmes que possui uma cena marcante envolvendo Queen.

Acho que nem preciso comentar sobre a trilha sonora, com as músicas da banda se encaixando perfeitamente em cada momento e situação da vida do protagonista. A ambientação das décadas de 70 e 80 estão impecáveis, não só no vestuário e penteados, mas também na iluminação e atmosfera. O clímax acontece no show do Live-Aid, que precisou de efeitos especiais para representar a grande massa de público, o que ficou meio caído pois quando o plano abre é possível ver as pessoas repetidas digitalmente, como se tivessem dado um “recorta e cola” numa meia dúzia de figurantes. Aconselho a não prestar muita atenção nisso e apenas se arrepiar com o som que fica ligeiramente mais altos nestes momentos de show para te colocar dentro do espetáculo.

Talvez as liberdades que o roteiro tomou para construir melhor a narrativa possam incomodar os fãs mais aficionados, porém Bohemian Rhapsody emociona e trata com carinho a história de Freddy e sua banda. É um filme pra ser visto no cinema, pra se sentir parte do show. E anotem o que estou falando – não vai demorar muito para fazerem um filme biográfico do David Bowie também.

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