A Morte do Capitão Marvel

A Morte do Capitão Marvel

CM2Arte e Roteiro: Jim Starlin
Publicação no Brasil: Graphic Novel #3, Editora Abril, 1982
Papel: couché, 132 páginas
Sinopse: O Capitão Marvel descobre que tem um câncer raro e precisa da ajuda dos maiores heróis do Universo Marvel para encontrar uma cura.

Poucas são as obras que conseguem mudar sua vida. Seja no cinema, nas artes, na literatura, assimilamos muita coisa e milhares de outras informações ou são esquecidas ou apenas ignoramos. No que diz respeito aos quadrinhos “A Morte do Capitão Marvel” é sem dúvida um marco na minha formação de leitor de HQs.

A arte incrível de Jim Starlin bem como seu texto melancólico é uma foto nas minhas lembranças de juventude. Um herói icônico da Marvel sucumbia perante o câncer – algo assustador mas também incrivelmente humano e frágil levando-se em conta o nível de poder cósmico de Mar-Vell. Sua doença foi contraída anos antes numa luta contra o vilão Nitro que expôs o herói a um gás tóxico que anos mais tarde evoluiu para um câncer generalizado.

O ponto chave da história é exatamente transpor a imensurável força do personagem ao mais mundano drama humano: o fim da vida. Isso causa logo de imediato a empatia com o leitor.

Starlin também fazia um exorcismo com sua experiência vivida com seu pai que também perdera uma luta contra o câncer. É nessa parte que a história é tão importante para mim. Perdi uma irmã caçula, ela teve leucemia e faleceu em 1993. E todo aquele momento de revolta de Rick Jones, contra o próprio conformismo de Mar-Vell, eu senti na pele. A quimioterapia, o desesperador medo do futuro próximo… O vazio de quando a pessoa se vai. Eu senti tudo isso. E já ouvi relatos de dezenas de outras pessoas que tem esta história como marcante pelos mesmos motivos.

Quero deixar claro que minha identificação com a história não é uma desculpa para qualidade ruim do roteiro e arte. “A Morte do Capitão Marvel” é tão icônica que mesmo a picaretagem dos editores da Marvel foi incapaz de quebrar este cânone para trazê-lo de volta em alguma saga caça-niqueis.

A reunião final com os grandes heróis da editora, bem como vilões como os skrulls, indo fazer uma última reverência ao cavaleiro espacial e seu diálogo final com Thanos é um dos pontos alto da Marvel como editora e de uma ousadia da qual ela poucas vezes foi capaz de alcançar a partir daquela história. E combinada com a outra clássica “O conflito de uma raça” dos X-Men esta obra foi uma introdução ao que viria depois com Frank Miller no Demolidor, Watchmen, Cavaleiro das Trevas, etc.

Apesar de clássica esta graphic novel nunca teve outra reedição no Brasil – uma ótima dica para a Panini e para a Salvat (que tem lançado álbuns clássicos em formato de capa dura).

Mar-Vell!!

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