Túnel do Tempo: Super Seven

Túnel do Tempo: Super Seven

A linha de publicação Túnel do Tempo – saudosa tradução da Editora Abril para o original Elseworlds – é um selo da DC Comics onde os heróis que conhecemos são retirados do seu contexto habitual e colocados em locais ou épocas diferentes. Nesta coluna do Dínamo encontraremos algumas das versões mais exóticas e incríveis dos nossos personagens favoritos.
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Superboy (1ª Série) #5 e #6, 84 páginas, Formatinho, Editora Abril, 1995.

Publicada originalmente em Adventures of Superman Annual (1987) n° 6/1994 e Superboy Annual n° 1/1994 – DC Comics.

Nesta edição da coluna Túnel do Tempo, retornamos ao “padrão” de universo alternativo já apresentado anteriormente: Ditadores Alienígenas/Super-Vilões + Dominação Mundial + Heróis Dissidentes. Em um mundo dominado por extraterrestres, genocidas e autoritários, os maiores heróis da terra compõem a última linha de resistência numa luta pela sobrevivência da humanidade. Essa é basicamente a mesma premissa de Robin 3000, de Os Imperdoáveis e da Liga de todos os Tempos. Neste sentido, já adianto que não há nada de muito novo em “Super Sevens”, embora algumas ideias interessantes sejam apresentadas.

As duas edições que compõe a história completa são parte da iniciativa temática para os anuais da DC Comics de 1994, que já comentamos por aqui. No Brasil a história também foi dividida em duas edições, publicadas na revista do Superboy (1ª Série) da editora Abril. A primeira história, intitulada “Na noite mais densa”, apresenta o mundo dominado pela raça alienígena Malazza-Rem (“A Horda”). Para eliminar qualquer resistência, os invasores jogam a população mundial contra os meta-humanos. Os alienígenas decretam punições severas (como assassinatos em massa) para cada ação dos super-heróis contra o regime, o que a princípio resultou em milhões de mortos. Este é um dos pontos fortes da edição, o fato do povo – por desespero – se voltar contra os vigilantes que sempre os defenderam, justificando assim o desaparecimento dos heróis e a falta de confiança em si mesmos. A história se passa, então, dez anos após o inicio da invasão, quando os super-heróis não são mais vistos, e a resistência é praticamente nula. Nesse cenário desolador, Jimmy Olsen – líder rebelde – descobre o paradeiro do Superman, até então desaparecido, e o motiva a recrutar os últimos heróis remanescentes para compor a arma secreta, e derradeira, da Resistência. Ao longo da edição os outros protagonistas vão se juntando ao homem de aço, dando origem aos “Super Seven”, grupo formado por: Superman, Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde, Flash, Superboy e Metallex. A segunda edição, intitulada “Homens de Aço” se resume na batalha decisiva desta equipe contra as forças alienígenas, o seu desfecho e consequências.

Apesar do argumento de ambas edições ser unicamente de Karl Kesel, criador do Superboy moderno, os desenhos são de Brock L. Hor (Parte 1) e Greg Luzniak (Parte 2). A primeira edição conta com arte-final de Curt Shoultz, mas a segunda parte conta com diversos arte-finalistas: Ande Parks, Andrew Pepoy, Stan Woch, Ray McCarthy, Jackson ‘Butch’ Guice, Dan Davis, Peter Gross, Luke McDonnell e Dave Bednar.
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Mais uma vez, não há interesse por partes dos autores em trabalhar a invasão extraterrestre do ponto de vista social, ou do “choque de civilizações”, mas apenas de maneira superficial. Neste sentido, os alienígenas se mostram um inimigo genérico, que não cativa o leitor de maneira alguma. Entre os heróis, por outro lado, existem algumas caracterizações interessantes. O Flash – Wally West – por exemplo, após ser lixando pela população furiosa, precisa lidar com o fato de ter suas pernas inutilizadas. Já Hal Jordan, agora conhecido como “Coveiro”, tem que conviver com a dor de ter visto Coast City ser reduzida a cinzas. O outrora destacado membro da Tropa dos Lanternas Verdes, passa os seus dias enterrando os incontáveis corpos resultantes da destruição de sua cidade. Lex Luthor, por outro lado, é um dos membros mais ativos da resistência humana à invasão, e – uma vez que seu corpo físico é destruído – utiliza a tecnologia do Metallo para criar um corpo artificial e dar origem ao “Metallex”. Por fim, apesar de fazer sentido no mundo real, já que é o protagonista do título, a participação do Superboy é totalmente forçada. Sua origem, neste mundo alternativo, não é revelada, não sabemos de onde ele vem ou quais são suas motivações, apenas constatamos que ele é o um babaca adolescente inconsequente, e que suas atitudes não condizem com o seu destino final.
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Contudo, apesar das ideias interessantes, a história é bem “massa véio” típica da época em que foi idealizada, ou seja, toda ambientação distópica e apocalíptica é apenas uma grande desculpa para apresentar os heróis tradicionais com jaquetas de couro, metal e roupas punks. O maior exemplo talvez seja o Ciclope Batman, único herói a manter um continuo – e secreto – confronto com a Horda (como era de se esperar), mas que não hesita em usar armas de fogo para destruir os seus inimigos. Isto já diz muito sobre o que se pode esperar em termos de arte e roteiro. Super-Seven é, portanto, para os leitores que conseguem aproveitar uma aventura despretensiosa e se divertir ao relembrar os anos noventa.

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