Sarjeta do Terror #11 – Criadores de Terror: Salvador Sanz

Sarjeta do Terror #11 – Criadores de Terror: Salvador Sanz

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Em mais um “subtópico” dentro da coluna, de tempos em tempos devo fazer textos sobre autores que se dedicam, total ou parcialmente ao terror. Conhecer obras é ótimo, mas são os autores por trás destas obras que garantem que elas se tornem clássicos.

Eu costumo considerar fundamental lembrar daqueles autores que fazem parte da história dos quadrinhos de terror. No entanto, considero também extremamente importante não esquecer dos novos autores, que continuam surgindo e deixando sua marca dentro do gênero e fazendo-o seguir adiante. Um destes autores mais recentes e que merece a devida atenção é Salvador Sanz.

Nascido em Buenos Aires em 1975, Salvador Sanz é formado pela Escola Nacional de Belas Artes “Manuel Belgrano”, mas também estudou animação na Escola de animação da Argentina.

Seu trabalho começou a ser conhecido localmente a partir da década de 90, onde participou como co-editor e autor da revista independente Catzole, junto com seus colegas Julio Azamor e J.J. Rovella. A partir daí, foi ganhando visibilidade ao publicar trabalhos não só na Argentina, mas também na Espanha e em outros países da América Latina, e acabou ganhando bastante destaque ao publicar suas histórias seriadas na revista Fierro. Hoje, possui premiações variadas vindas de diversos países, da América do Sul, da Europa e dos Estados Unidos.

Sanz também se aventura pelos caminhos da animação. Já trabalhou na série televisiva Mercano el marciano, de Ayar B. e Juan Antin, além de ter desenvolvido El Inivisor e dirigido Gorgonas, animação vencedora do prêmio de curta-metragem da San Diego Comic Con, em 2006. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão a revista franco-argentina Ex Abrupto, a Sudamérika (antologia de autores do Mercosul ), Ángela Della Morte, Legión (2006), Nocturno (2007) e Desfigurado (2007).

Diferente de autores que prezam por uma estilização mais acentuada e simplificada (o que não é nenhum demérito a estes), o ponto forte de Salvador Sanz, como artista, é a elaboração de imagens complexas e detalhadas, especialmente misturando elementos do mundo real com “objetos impossíveis”, como em Legião e Noturno, ou caracterizando de forma bastante realista (embora assustadora) paisagens das mais diversas, sejam as ruas de Buenos Aires ou a superfície da lua.

As influências do autor são as mais diversas, e algumas delas são bem evidentes. Sanz cita obras como O Eternauta (dos também argentinos Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano López) e autores como Enki Bilal como grandes influências, mas é possível também detectar um pouco de Moebius, muito H.P. Lovecraft e possivelmente até uma pitada de Salvador Dali. Como autor de suas próprias histórias, Sanz navega entre o horror, a fantasia e a ficção científica, e tem como principal característica tramas inusitadas que por si só já despertam a curiosidade.

No Brasil, foram publicadas as obras Angella Della Morte (Volume 1), Noturno, Legião e O Esqueleto, todas pela Zarabatana Books. A primeira, uma aventura sci-fi, traz um futuro alternativo onde Angela Della Morte trabalha nos Laboratórios Sibelius em uma inusitada função: enganar o próprio corpo simulando a morte de modo a liberar sua alma que pode se apossar de pessoas “desalmadas”. O volume 2 já foi lançado na Argentina a não deve demorar para chegar aqui.

Noturno nos leva a uma viagem surreal e macabra, onde algumas pessoas possuem uma estranha conexão com um mundo bizarro que mais parece ser o local onde nasce os pesadelos.

Legião explora o fim do mundo a partir de personagens ligados, direta ou indiretamente a alguma forma de arte, e brinca com o aspecto transcendental muitas vezes atribuído às expressões artísticas.

O Esqueleto, mais recente lançamento do autor por aqui, tem um plot bastante inusitado e interessante: um vírus contaminou todo o gado do planeta e transformou os seres humanos em monstros canibais. Apenas os vegetarianos não se contaminaram e continuam lutando pela sobrevivência. Esqueleto é um deles.

Recomendo muito para que nunca leu adquirir qualquer trabalho do autor que foi publicado aqui. Histórias com plots diferentes umas das outras, mas que contém todos os elementos que fazem uma boa narrativa de fantasia e de terror.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edições anteriores:

10 – EC Comics, parte 3: o fim

9 – Super-heróis com um “pé” no terror: Homem Formiga

8 – Interlúdio: Shut-in (trancado por dentro)

7 – EC Comics, parte 2: o auge

6 – Interlúdio: Garra Cinzenta, horror pulp nacional

5 – EC Comics, parte 1: o início

4 – Asilo Arkham: uma séria casa num sério mundo

3 – A Era de Ouro dos comics de terror

2 – Beladona

1 – As histórias em quadrinhos de terror: os primórdios

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