Sarjeta do Terror – A era de ouro dos comics de terror

Sarjeta do Terror – A era de ouro dos comics de terror

 

0-capapost3Este texto, embora fechado, serve como a segunda parte da primeira postagem desta coluna, sobre a história dos quadrinhos de terror. Embora não seja necessária para a leitura deste, se quiser aprofundar seu conhecimento a respeito, leia sobre os primórdios dos comics de Terror aqui.

O surgimento dos super-heróis causou uma espécie de “transição” narrativa nos quadrinhos americanos. Se antes os fãs de quadrinhos devoravam histórias pulp, a partir dos anos 40 eram os comics de super-herói que ganhavam as graças dos fãs deste meio. E não por acaso: os super-heróis são, de certa forma, filhos das histórias pulp, então não é surpresa que o interesse do mercado acabasse migrando de um para outro assim que as histórias de super-herói explodiram.

E também não é surpresa que alguns elementos tradicionais de histórias de terror também fizessem a migração para as histórias de supers*. Os primeiros foram, é claro, os cientistas loucos, com suas invenções bizarras e mortais, mas outros elementos também dariam as caras, como vampiros, criaturas alienígenas e monstros de diversos tipos. Personagens como O Espectro, Solomon Grundy, Dr Oculto, Coringa e Lex Luthor estão entre os muitos personagens dos comics de super heróis com um “pé” no terror.

Mas, ao contrário do que alguns poderiam pensar, os super heróis não “mataram” o terror, pelo contrário; abriram espaço para que o gênero pudesse trilhar seu próprio caminho. Antes, o terror nos quadrinhos não podia ser considerado um gênero per se. Foi a partir dos anos 40 que começaram a surgir as hqs de terror propriamente ditas.

É complicado estabelecer coisas como “a primeira Hq de terror”, mas tenha em mente que, quando me refiro a termos como “considerado o primeiro”, “considerado o precursor” e derivados, isso serve mais como um corte histórico para efeitos didáticos, não como um ponto de início rígido e imutável.

Em 1940, mais especificamente na sétima edição da revista Prize Comics, surgia “The New Adventures of Frankenstein”, uma espécie de versão atualizada da história do Prometeu Moderno de Mary Shelley, considerada a primeira hq seriada de terror americana.

Em 1943 temos a edição número 12 da publicação Classic Comics, que adaptou o conto “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” como história backup da adaptação de “Rip Van Winkle”. E, na edição seguinte, a mesma revista adaptou O Médico e o Monstro como uma história longa, o que a faz ser considerada a mais antiga hq de história longa dedicada ao terror que se conhece. Há historiadores que colocam Eerie comics, de 1947 como a primeira revista dedicada exclusivamente ao terror (as outras Hqs continham também histórias de outros gêneros, como super-herói, criminais, etc), mas essa é uma distinção controversa.

A partir daí, os quadrinhos de terror se expandiram e encontraram um nicho de mercado. Diversas publicações pipocaram de editoras novatas até editoras tradicionais que não costumavam publicar terror, a maior parte delas durando apenas poucas edições, outras tendo maior aceitação e durando um bom tempo. Mas maior expoente dos quadrinhos de terror nos comics foi sem dúvida a E.C. Comics, especialmente por sua trinca de revistas The Haunt of Fear, The Vault of Horror e Crypt of Terror (depois renomeada para o título mais conhecido, Tales from the Crypt). Não só a editora conquistou os leitores como se tornou referência, gerando uma série de cópias.

A E.C. Comics representou o auge das histórias de terror nos EUA. Infelizmente, a editora foi forçada a fechar as portas por conta de um terror nada fictício e bem real: a censura, que veio na forma do famigerado Comic Code Authority. Mas tanto a história da E.C quanto o advento do Comics Code terão que ficar para próximos posts, pois são uma longa história.

A “era de ouro” dos quadrinhos de terror americanos encerrou-se em 1954, com a instituição do Comics Code e, a partir daí, os quadrinhos (e principalmente as HQs de terror) nunca mais foram os mesmos.

Curiosidades:

– “The New Adventures of Frankenstein”, da Prize Comics citada no texto, durou como série de terror até 1945, quando se tornou uma série de humor (sim, eles mantiveram as histórias do Frankenstein, mas passaram a escrever como comédia), até ser revivido em 1952, novamente como uma série de terror;

– A mesma Prize Comics que estreava “The New Adventures of Frankenstein”, contava com histórias do super-herói Black Owl, pela dupla Jack Kirby e Joe Simon;

– Eerie Comics, de 1947, consistia em 7 histórias curtas, sendo que uma delas tinha como arte-finalista um jovem Joe Kubert;

– Eerie Comic foi apenas um one-shot, mas retornou na forma de hq regular no formato de antologia em 1951, e durando até 1954;

– A trinca de HQs de terror da E.C Comics (The Haunt of Fear, The Vault of Horror e Crypt of Terror) são as Hqs de terror mais duradouras do período, com um total de 91 edições.

* É claro que não podemos ignorar a influência do próprio contexto cultural e histórico (como a Segunda Guerra) e das outras mídias, em especial os filmes de horror da Universal dos anos 30 e 40.

 

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