O Livro de Eli

O Livro de Eli

Eli é um sobrevivente de uma guerra que praticamente destruiu o mundo há mais de trinta anos. Caminhando pelas paisagens áridas do que restou, numa luta pela sobrevivência, também luta para guardar o que é provavelmente o último exemplar da Bíblia das garras de um líder de um vilarejo que planeja usá-lo para dominar as pessoas.

Mais um filme pós-apocalíptico estreou nos cinemas na semana passada, demonstrando que este parece ser um tema recorrente nas produções hollywoodianas (vide 2012, Avatar, A Estrada…). A película, dirigida pelos irmãos Hughes, produzido por Joel Silver e Denzel Washington, traz este último no papel principal, contracenando com Gary Oldman e Mila Kunis. Para mim, fã dos dois atores, é sempre um deleite vê-los interpretar qualquer tipo de personagem. Gary Oldman, mais do que nunca, a cada papel usa os mais diferentes recursos para compor seus personagens, e está muito bem na pele de Carnegie. Denzel não deixa por menos, fazendo o papel de Eli. Com um ar envelhecido, cansado, mas ainda assim extremamente seguro, consegue conduzir o filme muito bem até o final. Mila Kunis, estrelinha de That’s 70 show, da Sony Entertainment Television, foi, a meu ver, a mais fraquinha do filme. O personagem, na verdade, não foi adequado, parece fora de contexto. É uma escrava de Carnegie, analfabeta, mas muito segura de si para alguém que vive na dependência de seu dono. Não gostei da personagem nem da interpretação da atriz.

A fotografia cinza-azulada, quase monocromática, reflete a aridez deste cenário pós-apocalipse, e mostra o estado desesperançoso do mundo pós-guerra. Lembrou-me muito de Mad Max (que vai ganhar o quarto filme em breve) e Blade Runner. A história, que nada diz da guerra ou de como ocorreu, é um conto de fé, de um homem que se apega ao seu destino, àquilo que acredita, e vai às últimas conseqüências para cumprir seu objetivo. É um filme que fala sobre determinação acima de tudo, de homens dispostos a darem tudo por aquilo que almejam. Um filme muito bom, competente, com boa dose de ação e com uma narrativa ágil, que traz em suas entrelinhas, muitas coisas para nos fazer pensar, com suas críticas sociais e políticas a fatos recentes, e nos faz questionar sobre nosso futuro. É um filme que não entrega tudo de mão beijada antes do fim, o quebra-cabeça final deve ser montado pelo espectador. Um excelente filme que sem dúvida vale a pena ser conferido.

Ficha técnica

Título: O livro de Eli (The Book of Eli)

Ação / Aventura / Ficção científica

País / Ano / Duração: EUA , 2010 – 118 minutos

Direção: Allen Hughes e Albert Hughes

Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon

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4 thoughts on “O Livro de Eli

  • @Djuli
    Não viajou não. O filme lembra muito o cenário apresentado pelo game Fallout, o que pode agradar muito aos fãs da franquia. Entretanto, o filme nada tem haver com os games, só mesmo a similaridade do cenário.

  • Olá!
    Eu adorei o filme, simplesmente um Mad Max que aborda outros conceitos e cumpriu bem o seu papel. Eu daria uma nota 3,5 pro mesmo. Quanto ao Review em si, acho que o professor deu um spoiler a cerca do que se trata o tal livro (coisa que agente só tem certeza do que é mais pra metado do filme), mas tanto faz. XD

    É um ótimo filme e todos devem dá uma olhada.
    Até and Bye…

  • Gostei mto do filme. Não só pela estética Fallout 3 (jogo que gosto bastante) mas também pelo atributo da ironia. Tem muita ironia alí. No enredo, nos fatos, dos pequenos aos mais evidentes. E uma das principais ironias está no final. Não o final óbvio, o do fim, mas no fato de que as escrituras da Bíblia podem ser interpretadas de qualquer forma. Assim como elas não seriam necessariamente os escritos do Senhor, mas a interpretação destes pelos seus escritores. O final mostra que vivemos em um mundo de interpretações e versões que podem ser as nossas, ou não, mas estamos ao sabor do acaso.

    O final óbvio, o que nos da a ultima cena antes dos creditos, foi o que não gostei, mas até aíé obviamente compreensível pelo ponto de vista dos produtores que devem ter pensado “ah, vamos ver se esse filme vinga, daí explorar uma possível franquia”. É brabo de explicar sem dar spoiler 🙂

    Mas isso é papo pra outra de nossas conversas em mesa de churrasco. E que não seja de churrasquinho de gato, por favor 😉

    Abraço!

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