Nine

Nine

Das estréias da semana passada, o único que não havia conseguido assistir a tempo de fazer a crítica tinha sido Nine. Antes tarde do que nunca, cá está. Não sou muito fã de musicais, mas acho que estou começando a me render ao gênero. Assisti a alguns clássicos e gostei muito, e tive a chance de ir ao Fantasma da Ópera na Broadway, em Nova York. Esses fatos começaram e me fazer enxergar o gênero com mais atenção e a romper qualquer tipo de preconceito que talvez tivesse.

Especificamente sobre Nine, talvez não precisássemos dizer muito, bastaria mencionar o elenco mais do que estrelado: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson. Lindas mulheres, atores competentes e um diretor premiado com o Oscar por Chicago, Rob Marshall.

Esta é a história de Guido Continti, famoso diretor italiano de cinema que está passando por uma crise criativa para a realização de sua nona produção, para a qual só tem o nome, Italia. O roteiro? Nem uma página. Pressionado pelo seu produtor e pela imprensa, que acredita que o maestro já não tem mais o que fazer, acompanhamos este momento decadente do personagem principal, de seus problemas de relacionamento com sua mulher e sua amante, suas paixões, seus medos, seus desconfortos.

Fica clara a fragilidade do personagem, muitas vezes contraposto com sua versão infantil, e muitas vezes, como adulto, clamando pelo colo de sua mãe. Daniel Day-Lewis mostra a que veio, sempre, e consegue demonstrar, nos trejeitos, na aparência que cria para o personagem, todo o conflito, a insegurança e problema que está enfrentando. Judi Dench, a M de James Bond, é perfeita, como sempre. Segura, eficiente, sem exageros, é a figura maternal que ajuda Guido. Penélope Cruz, linda e sensual como sempre, a amante de Guido, desesperada por sua atenção e seu amor. O seu número musical é extremamente sexy. Kate Hudson, jornalista que tem um interesse pelo diretor, faz aquele que, para mim, é o melhor número do filme. Animado, muito bem coreografado, como todos os outros, diga-se de passagem, mas tem um quê a mais ali que realmente fascina. Fergie, que faz uma prostituta da infância de Guido, entra muda e sai calada, só faz um número, muito bem feito, bem montado, mas só. Marion Cotillard, que faz a esposa de Guido, ignorada por ele, vive sobre a fragilidade de um casamento praticamente arruinado, também está muito bem e com um número emotivo e outro bem sexy.

Sophia Loren e Nicole Kidman foram, a meu ver, mal aproveitadas. Embora cantem e tenham seu número, são daquelas atrizes que valeria a pena enfatizar mais, pelo peso e pela competência que têm. Talvez pelo excesso de figuras femininas, elas acabaram ficando em segundo plano. Recheado de bons figurinos e grandes cenários, os números musicais não são inseridos no filme a esmo, eles são mostrados como se fizessem parte da imaginação ou sonho de Guido. Bela sacada, não atrapalha a narrativa e compõe inteligentemente a música com a história.

Para alguns críticos, o filme foi hollywoodiano demais quando deveria ser mais “italiano”. Talvez. Concordo que faltou um pouco mais do sangue latino para realmente apimentar o filme, mas não merece ser negligenciado. Há, sem dúvidas, musicais muito melhores, mas mesmo assim, vale a pena conferir (e dançar ao som de “Cinema Italiano”, de Kate Hudson! Demais!).

Ficha técnica

Título: Nine

Ano/País/Duração: EUA, 2009 – 118 min

Musical

Direção: Rob Marshall

Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson.

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