John Byrne, Máquina de Escrever e Desenhar – A ERA MARVEL

John Byrne, Máquina de Escrever e Desenhar – A ERA MARVEL

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John Byrne foi um dos mais prolíficos artistas de quadrinhos da chamada Era de Bronze. Em termos de média de produção de páginas, talvez um dos que mais tenha se aproximado do inigualável Rei Jack Kirby. A maioria de nós, leitores brasileiros, que acompanhou seus trabalhos publicados nas editoras RGE e Abril, notávamos que volta e meia lá estava o desenhista mostrando serviço, em títulos diversos e importantes.

Como as histórias publicadas por aqui não eram todas alinhadas cronologicamente, não tínhamos uma real noção dos trabalhos que este barbudo inglês (naturalizado canadense) produzia em um mesmo período. E, talvez, se você não tivesse o costume de observar no canto das primeiras páginas das histórias a referência à publicação original americana, com as informações da edição e do ano, não se importasse muito com isso.

Pois o apanhado a seguir pretende fazer uma linha cronológica dos trabalhos de Byrne ao longo de sua primeira e rica passagem pela Marvel, onde veremos o resumo de suas publicações ano a ano, e você, que leu isso lá nos anos 80, vai se perguntar: como esse cara conseguiu fazer isso tudo ao mesmo tempo?

Salvo alguma informação que porventura não tenha sido coletada, a linha do tempo de John Byrne na Marvel é mais ou menos assim:

Em 1975, a estreia com mordidas vampirescas e punhos de ferro (ou de aço, para a turma da Bloquinho)
– Giant-Size Dracula #05 (jun) – desenhou uma das HQs (arte- final de Rudy Nebres)
– Marvel Premiere Vol 1 #25 (out) – Punho de Ferro
– Iron Fist Vol 1 #01 a #02 (nov a dez)

Segue em 1976 com artes marciais, tigresas e demônios demolidores. Raramente Byrne fazia as capas de Iron Fist, e somente na edição #08 foi o autor de uma.
– Iron Fist Vol 1 #03 a #10 (fev a dez) – esta revista alternava períodos onde ora era mensal, ora bimestral.
– Marvel Chillers Vol1 #6 featuring Tigra the Were-Woman (ago)
– Daredevil Vol1 #138 (out)
– Ghost Rider Vol3 #20 (out) – continuação da HQ de Daredevil #138


Sai do Punho de Ferro em 1977, enveredando pelos intrépidos Campeões, Homem-Aranha, Vingadores, especial com o Senhor das Estrelas e uma X-estreia que marcaria época.
– Marvel Team-Up #53 a #55 (jan a mar) e #59 a #64 (jul a dez)
– Iron Fist Vol 1 #11 a #15 (fev a set)
– Champions Vol 1 #11 a #15 (fev a set)
– Avengers #164 a #166 (out a dez)
– Uncanny X-Men Vol 1 #108 (dez)
– Power Man Vol1 #48 (dez)
– Marvel Preview #11 (verão de 77) – Senhor das Estrelas

Nos embalos de 1978 ataca de X-Men vs Guardião (Tropa Alfa), mutantes na Terra Selvagem, Homem-Aranha com Capitão Britânia, Thor e Monolito Vivo, e Luke Cage na dobradinha com Punho de Ferro.
– Marvel Team-Up #65 a #70 (jan a jun) e #75 (nov)
– Uncanny X-Men Vol 1 #109 e #111 a #116 (fev a dez) – virou mensal a partir do #112
– Power Man Vol1 #49 (fev)
– Power Man and Iron Fist Vol 1 #50 (abr)
– Marvel Two-in-One #43 (set 78)
– Incredible Hulk Vol1 Annual #7 (out)

Em 1979 somente um cara poderia fazer parte de 3 supergrupos ao mesmo tempo! Este foi o Super Byrne no segundo semestre deste ano, quando vimos o Quarteto contra Esfinge, Terrax e Galactus (que culminou no clássico GHM #12 da Abril), Henry Peter Gyrich atrapalhando a vida dos Vingadores, e os X-Men encontrando a Tropa Alfa, Arcade e Proteus. Mais Homem-Formiga, Coisa em Marvel Two-In-One e uma estonteante guerreira ruiva invadindo a rotina do Homem-Aranha.
– Uncanny X-Men #117 a #128 (jan a dez)
– Iron Man Vol1 #118 (jan)
– Amazing Spider-Man #189 e #190 (fev e mar)
– Avengers #181 a #190 (mar a dez)
– Marvel Team-Up #79 (mar) – Sonja
– Marvel Two-in-One #50, #53 a #55 (abr, jul a set)
– Marvel Premiere #47 e #48 (abr e jun) – Homem-Formiga
– Fantastic Four #209 a #213 (ago a dez)
– Amazing Spider-Man Vol1 Annual #13 (dez)

É 1980 e… morre Jean Grey (pela primeira vez, pelo menos). Fim desta fase do Quarteto (o melhor ainda estaria por vir) e início do curto e memorável período em Capitão América. QUE ano!
– Uncanny X-Men #129 a #140 (jan a dez)
– Avengers #191 (jan)
– Fantastic Four #214 a #218 e #220 a #221 (jan a ago)
– Captain America #247 a #252 (jul a dez)
– Amazing Spider-Man #206 (jul)


Dias de um 1981 conturbado, com a saída quase simultânea do título do Capitão América e dos X-Men, porém com o início da longa e bem sucedida trajetória no Quarteto Fantástico, empilhando clássicos instantâneos a cada edição.
– Uncanny X-Men #141 a #143 (jan a mar)
– Captain America #253 a #255 (jan a mar)
– Fantastic Four #232 a #237 (jul a dez)
– Peter Parker, The Spectacular Spider-Man Vol1 #58 (set)

Um 1982 inteiro com Byrne no Quarteto Fantástico, revelando o segredo de Frankie Raye, nos trazendo a Tia Petúnia, levando os Inumanos à Área Azul da Lua, colocando a família fantástica contra Terrax, Galactus e sua nova arauto, e um confronto contra o Gladiador. Como se não bastasse, temos o retorno do Surfista Prateado em título próprio após uma década, escrito por Stan Lee.
– Fantastic Four #238 a #249 (jan a dez)
– Silver Surfer Vol2 #01 (jun)
– What If Vol1 #36 (dez) – “What If the Fantastic Four had not gained their super powers?”


É 1983, o Quarteto dá um rolê na Zona Negativa, Galactus devora o planeta dos skrulls, e um certo grupo canadense – que verdadeiramente só funcionou nas mãos de Byrne – tem sua estreia. Ainda sobrou tempo para duas edições de Indiana Jones.
– Fantastic Four #250 a #261 (jan a dez)
– Further Adventures of Indiana Jones Vol 1 #1 e #2 (jan e fev)
– Avengers #233 (jan)
– Fantastic Four Annual Vol 1 #17 (set)
– Alpha Flight #01 a #05 (ago a dez)

John Byrne passa 1984 inteiro escrevendo, desenhando e arte-finalizando a Tropa Alfa (com exceção do final do ano onde Bob Wiacek assume o nanquim) e o Quarteto Fantástico, este que teve o julgamento de Reed Richards, a gigante verde Mulher-Hulk no grupo, mas a qualidade cai um pouco em relação aos primeiros anos (exceto pelo arco do julgamento de Reed Richards, com participação do próprio Byrne “em pessoa”). Em contrapartida, a Tropa Alfa mantém bom nível, culminando na morte do Guardião.
– Fantastic Four #262 a #273 (jan a dez)
– Alpha Flight #06 a #17 (jan a dez)
– Fantastic Four Annual #18 (ago)


Em 1985, após 28 edições, Byrne se despede da Tropa Alfa, e no mês seguinte já estreia no Hulk, num “troca-troca” com Bill Mantlo e Mike Mignola.
No Quarteto, na edição #275, já mostrou a Mulher-Hulk quase nua… para depois no final do ano repetir isso na sua Graphic Novel. Byrne gostava da coisa verde : )
Também já começa a dividir o trabalho com arte-finalistas convidados em algumas histórias, como Al Gordon e Jerry Ordway. E após o Quarteto ter o Edifício Baxter levado embora, e ter visitado o Microverso, termina o ano com a tocante e trágica história do menino obcecado pelo Tocha Humana.
– Fantastic Four #274 a #285 (jan a dez)
– Alpha Flight #18 a #28 (jan a nov)
– Fantastic Four Annual #19 (nov)
– Marvel Graphic Novel Vol 1 #18 (nov) – She-Hulk
– The Incredible Hulk #314 (dez)


Em 1986, na revista do Quarteto, Byrne – com Claremont – traz Jean Grey de volta. Segue na revista até o meio do ano, ainda escreve uma última edição desenhada por Jerry Ordway, e sai em definitivo do título. Ainda há tempo para o Hulk ser separado de Bruce Banner, ser caçado, Banner casar e… Byrne sai da Marvel!
– Fantastic Four #286 a #293 (jan a ago) – a #294 ele apenas co-escreveu ao lado de Roger Stern.
– The Incredible Hulk #315 a #319 (jan a mai)

No mês seguinte Byrne estaria estreando no personagem que é "dono" desta capa.

No mês seguinte Byrne estaria estreando no personagem que é “dono” desta capa.



Em julho de 1986 já estava sendo publicado
The Man of Steel #01, na DC. E o Superman marvelizado, caramelizado, com flocos crocantes do mais autêntico traço e roteiro byrniano alçava voo para marcar época.

E, para fechar, ainda tivemos Marvel Fanfare #29 publicada só em novembro de 1986, com Byrne já na DC (no Brasil, essa história saiu em O Incrível Hulk #70, editora Abril).

O homem era uma máquina, mesmo!!

Depois, ele voltaria à Marvel, faria trabalhos com Namor, Mulher-Hulk, Vingadores da Costa Oeste e outros, mas isso é outra história.

Não posso deixar de finalizar deixando os agradecimentos aos amigos Wendell Morais e Andre Bufrem por algumas lembranças de títulos, e ao Roberto Guedes, cuja leitura (e releitura) do seu livro A Era de Bronze dos Super-Heróis me levou a fazer este levantamento das aventuras de John Byrne na Casa das Ideias.

por Zé Borba, especial para o Dínamo Estúdio.

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