Dez artistas “KIRBYNIANOS”

Dez artistas “KIRBYNIANOS”

Aproveitando o episódio 136 do ARGCAST sobre a vida e obra de JACK “THE KING” KIRBY, e sabendo da influência quase que onipresente deste que é um dos maiores nomes da arte seqüencial fantástica sobre diversas gerações de autores, Daniel HDR, Rodjer Goulart e Rogério DeSouza listaram aqui 10 autores que tem em seus trabalhos a influência visível de Jack Kirby.

Deixando claro que a lista não segue uma ordem de preferencia ou importância, mas sim ordem ALFABÉTICA pelo segundo nome, assim como esta lista é uma pequena migalha da imensa massa de seguidores (diretos e indiretos) do trabalho do Rei – por isso após conferi-la, fazemos questão que você continue ela! Mostre nos comentários que Jack Kirby é igual ou MAIOR que Chuck Norris 😉

Arthur ADAMS

É um dos artistas com um traço bem estilizado, quase puxado para o oriental. Adams é muito conhecido pelos seus trabalhos em títulos como Longshot e X-Men, mas também fez para o selo da Dark Horse Legend , publicando as revistas Monkey and O’ Brien e Godzilla, títulos estes que já mostravam alumas de suas grandes paixões ao desenhar:  monstros e dinossauros. Esta paixão nasceu do contato do artista com as velhas histórias do Kirby e suas criaturas braços ligeiramente exagerados, quadrados e suas posições dinâmicas, dos tempos em que o rei trabalhou nas revistas da Atlas Comics.

Parece estranho o grande detalhismo nas linhas finas de Adams irem de encontro com a dinâmica das figuras que Kirby criou, mas a fusão é notável e ilustra mais um belo exemplo "Kirbyniano" nos quadrinhos.

Parece estranho o grande detalhismo nas linhas finas de Adams irem de encontro com a dinâmica das figuras que Kirby criou, mas a fusão é notável e ilustra mais um belo exemplo “Kirbyniano” nos quadrinhos.

John BYRNE

Um dos grandes artistas ícones dos anos oitenta, Byrne teve seu star à figura de ícone no seu trabalho ao lado do roteirista Chris Claremont com os X-Men (que está sendo resenhado aqui no site do Dinamo, história por história, por Marcos Dark), logo após iniciando uma celebre fase escrevendo e desenhando uma das principais criações de Kirby na Marvel, o Quarteto Fantástico. A influencia de Kirby em seu trabalho chega a ser tanta que reflete não só em seu traço, mas como em sua carreira também, tendo ido para a DC Comics, trabalhado no título do Superman (onde criou uma série de novos personagens ligados à cronologia do Homem de Aço e com os personagens do Quarto Mundo, criação do Rei).

Os caminhos de Kirby e Byrne se cruzaram no mundo das HQs diversas vezes, fosse pelo trabalho nos mesmos títulos (em épocas diferentes) ou as mesmas editoras. Mas a influencia de Kirby no trabalho de Byrne é notavelmente percebida, sejam nas composições magnificas de ação e planos panorâmicos, ou no postural dinâmico dos personagens. "Kirbynianamente" clássico.

Os caminhos de Kirby e Byrne se cruzaram no mundo das HQs diversas vezes, fosse pelo trabalho nos mesmos títulos (em épocas diferentes) ou as mesmas editoras. Mas a influencia de Kirby no trabalho de Byrne é notavelmente percebida, sejam nas composições magnificas de ação e planos panorâmicos, ou no postural dinâmico dos personagens. “Kirbynianamente” clássico.

Erik LARSEN

Um dos fundadores da Image Comics (que foi assunto no ArgCast 135), onde até hoje publica seu personagem SAVAGE DRAGON, não só é fã confesso de Jack Kirby como é amigo da família do artista e já trabalhou com o rei humildemente fazendo arte-finali no projeto PHANTOM FORCE, ultimo trabalho autoral de Kirby antes de seu falecimento. Esta influência estende-se nas paginas e cenas de ação de Dragon.

Criaturas com visuais fora do comum, a perspectiva dinâmica na ação dos personagens, a estilização nos traços - das mãos aos detalhes dos rostos - Larsen é um "Kirbiniano" em pleno vapor.

Criaturas com visuais fora do comum, a perspectiva dinâmica na ação dos personagens, a estilização nos traços – das mãos aos detalhes dos rostos – Larsen é um “Kirbiniano” em pleno vapor.

Rob LIEFELD

Seria impossível não citar Rob Liefield nesta lista. Mesmo seu trabalho sendo questionável e polêmico por muitos, é perceptível a influência do Rei junto ao traço de Liefeld, mesmo que por alguns momentos. O artista que fez fama na Marvel Comics e depois ajudou a fundar a Image Comics já declarou diversas vezes que é fã incondicional de Kirby. Tendo já arte-finalizado o trabalho do Rei (assim como o aneriormente citado Erik Larsen) no projeto Phantom Force), muitos dizem que esta aproximação visual realmente ocorreu após seu singular (entenda isso como quiser, leitor) trabalho na série Heróis Renascem (para a Marvel), onde trabalhou com uma das criações de Kirby, o Capitão América. A coisa não parou por aí, pois Liefeld também esteve em uma versão atualizada de “Fighting American“, criação também de Kirby e Joe Simon. Para saber mais ouça o Argcast 111.

Sim, o Rei está em todo o lugar, inclusive no trabalho de qualidade questionável de Liefeld. Alguns dos posturais de ação, acabamentos em dedos, armas com design improvisados (ou inventivos - chame como quiser) e composições faciais tem muito de influência "kirbyniana> Se está bem executado, daí é outra história...

Sim, o Rei está em todo o lugar, inclusive no trabalho de qualidade questionável de Liefeld. Alguns dos posturais de ação, acabamentos em dedos, armas com design improvisados (ou inventivos – chame como quiser) e composições faciais tem muito de influência “kirbyniana> Se está bem executado, daí é outra história…

Jean-Claude MÉZIÈRES

Amigo de adolescência de Jean Girauld “Moebius”, ambos foram aprendizes do conhecido quadrinhista franco-belga Jijé. No período em que foram auxiliares de estúdio de Jijé, o contato com os Comics norte-americanos publicados pela Marvel com a arte de Jack Kirby levaram os dois jovens ao mundo da ficção científica. Mézières teve a evidência gráfica na sua obra mais evidente na fantástica série VALÉRIAN.

Dos diversos trabalhos do autor francês Jean-Claude Mézièrez, a saga sci-fi VALÉRIAN era uma ode aos cenários grandiosos, espaçonaves com típica tecnologia "Kirbiniana".

Dos diversos trabalhos do autor francês Jean-Claude Mézièrez, a saga sci-fi VALÉRIAN era uma ode aos cenários grandiosos, espaçonaves com típica tecnologia “Kirbiniana”.

Mike MIGNOLA

O criador de HELLBOY (que já foi assunto no episódio 125 do ArgCast) sempre teve a estilização em sua linha de trabalho, fato que ficou mais evidente no fim dos anos 1980 e ganhou destaque com seus desenhos nas HQs do infernal investigador demônio vermelho com mão de pedra. A influência de Kirby era perceptível da primeira a última linha, tanto que o escritor Alan Moore havia declarado, ao ser questionado sobre a criação de Mignola, que Hellboy era quando “Expressionismo Alemão encontra Jack Kirby.”

A geometrizaços nos rostos e sombras de Mignola nos desenhos, aliado à recursos gráficos de iluminação são claras referencias "Kirbynianas";

A geometrizaços nos rostos e sombras de Mignola nos desenhos, aliado à recursos gráficos de iluminação são claras referencias “Kirbynianas”;

Eichiro ODA

Autor de um dos maiores fenômenos do mangá na atualidade, Eichiro Oda que inspira tantos artistas também possui elementos de Kirby em seu traço tão peculiar. Em One Piece, se vê uma estilização incomum até mesmo nos quadrinhos orientais, também existe uma dinâmica de ação envolvente, criaturas complexas e exageradas e uma simetria na distribuição de elementos que também eram usadas pelo rei.
Seu traço rico em detalhes é um dos grande atrativos de seus trabalhos, assim como os de Kirby. É interessante ver como as ricas técnicas que Kirby criou anos atrás possuem paralelo com artistas de sucesso notórios atualmente, incluindo autores orientais.

As mãos estilizadas, enquadramentos que exploram a postura de ação extrema dos personagens, tudo é "kirbyniano" contemporâneo.

As mãos estilizadas, enquadramentos que exploram a postura de ação extrema dos personagens, tudo é “kirbyniano” contemporâneo.

John ROMITA Jr.

Filho do lendário John Romita Sênior, Jr. fez praticamente todos os títulos principais da Marvel Comics (Homem de Ferro, Demolidor, Justiceiro, X-men, Vingadores, etc…), sem deixar seus trabalhos autorais de lado (Kick-Ass feito em parceria com o escritor Mark Millar e o mais conhecido).
Observando o progresso de seu trabalho percebemos claramente que a influencia de Romita Jr. não partiu somente do trabalho do pai (evidente nos primeiros trabalhos), mas a maturação de seu traço mostra fortes e notáveis características do trabalho do velho e bom Kirby. Esta influência estética é gritante em sua passagem em títulos como Thor e a mini série Os Eternos, escrito por Neil Gaiman.

A blocagem nas figuras e sombras, a perspectiva com dinâmica nos cenários, muito do tra;co de Romita Jr. é uma revisitação à estética "Kirbyniana".

A blocagem nas figuras e sombras, a perspectiva com dinâmica nos cenários, muito do tra;co de Romita Jr. é uma revisitação à estética “Kirbyniana”.

Walt SIMONSON

O ex-paleontólogo que se tornou um dos maiores nomes dos Comics da década de 1980 em diante desde seus primeiros trabalhos mostrava a forte influência de Kirby nos seus traços. A presença estética do Rei ficou mais evidente na memorável fase de Walt Simonson como escritor e artista na revista do Poderoso Thor, que alias, foi toda resenhada na sessão Leitura Recomendada. E ainda no começo dos anos 2000, Simonson esteve na série Orion onde trabalhou com o universo cósmico criado por Kirby e todos os seus clássicos personagens na DC Comics.

Kirbys influence WSimonson

A estilização das figuras e efeitos gráficos (como os inconfundíveis “kirby dots” – ou “kirby crackles”) que costumam povoar o fundo de suas ilustrações não negam a influencia “Kirbyniana” no trabalho de Mr. Simonson.

Bruce TIMM

Além de ilustrador, Bruce Timm é produtor e animador, e ajudou a definir o universo animado dos heróis da DC Comics em animação dentro da Warner Bros. Ao construir o estilo grafico que seria usado nas animações da DC na década de 90, com seu Batman, a simplificação das figuras humanas já flertava com a estetica de Kirby, mesmo tendo como base principal a animação do desenho do Superman de 1941 dirigida por Max Fleisher. Nas temporadas seguintes do desenho de Batman, e (principalmente) em Superman Animated, a influencia de Kirby é nítida em seu traço estilizado e cheio de ângulos, e especialmente na série animada de Superman ele pode explorar muito dos elementos de ficção-cientifica idealizados por Kirby, tanto na tecnologia quanto nas criaturas, inclusive tendo uma clara homenagem a Kirby em um dos últimos episódios da série. 

A estilização que Bruce Timm produz é em muitos quesitos o amalgama perfeito entre a limpeza gráfica da animação moderna e o requinte gráfico "kirbyniano".

A estilização que Bruce Timm produz é em muitos quesitos o amalgama perfeito entre a limpeza gráfica da animação moderna e o requinte gráfico “kirbyniano”.

E você, leitor? Continue esta lista aí nos comentários!

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